Para homenagear mãe, colombiano furta o árbitro na Liga Europa

Por Luís Curro

O atacante Teo Gutiérrez, de 30 anos, é titular da seleção de seu país, a Colômbia. Esteve na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, e fez um gol na estreia da equipe, no Mineirão, contra a Grécia.

Defendia o River Plate até o meio deste ano, quando, após litígio com o clube, chegou a ser estar nos planos do Corinthians, mas transferiu-se para o Sporting, de Portugal.

No clube lisboeta, atual líder do Campeonato Português (dois pontos à frente do Porto, após 12 jogos), ele tem mostrado um futebol razoável, abaixo do apresentado na Argentina.

Não há muito mais a falar sobre sua carreira futebolística, nenhum fato extremamente marcante. Isso até esta quinta (10).

Afastado da equipe por quase três semanas por causa de uma pubalgia (dores na região do púbis), Teo aguardava a oportunidade de voltar a correr atrás da bola em uma partida oficial.

Foi relacionado pelo treinador Jorge Jesus para o jogo contra o Besiktas, pela rodada final da fase de grupos Liga Europa, o segundo interclubes em importância no velho continente. Porém não como titular.

Teo sentou-se no banco e estava ansioso. Era um dia especial para ele. Queria muito jogar e, jogando, queria muito fazer um gol.

Em terceiro lugar em seu grupo, o Sporting precisava derrotar o time turco em Lisboa a fim de avançar para os mata-matas.

Isso certamente motivava Teo a entrar e balançar as redes adversárias. Mas não era o que mais o motivava.

Com o Sporting na frente por 2 a 1, a chance veio. Teo entrou no jogo aos 20 minutos do segundo tempo e não decepcionou. Aos 32 minutos, recebeu a bola na entrada da área, deu um corte desconcertante no zagueiro Rhodolfo (ex-São Paulo e Grêmio), que caiu sentado, e fuzilou o goleiro Zengin.

Saiu para celebrar, na direção da torcida no estádio José Alvalade, mas deu meia-volta. Avançou rumo ao árbitro alemão Manuel Gräfe, que caminhava para o meio de campo.

E então veio a cena surpreendente e, pelo que sei, inédita nos gramados de futebol de uma competição relevante.

Fazendo um sinal como se pedisse permissão a Gräfe, porém sem esperar obtê-la, pegou o spray com que o juiz faz marcações no gramado nas cobranças de falta.

Teo com o spray do árbitro na partida em Lisboa (Manuel de Almeida - 10.dez.2015/EFE)
Teo com o spray do árbitro na partida em Lisboa (Manuel de Almeida – 10.dez.2015/EFE)

Teo voltou para a área do Besiktas e tentou escrever alguma coisa na grama. A espuma saiu escassa, sem a mesma empolgação do jogador. Não se formou uma única letra.

O colombiano contentou-se, então, com os abraços dos companheiros. Ao menos tinha tentado algo que planejara quando estava no banco de reservas ou, provavelmente, antes disso, em um outro dia.

Pois o que Teo queria, o que o estimulava a fazer um gol, tanto ou mais do que ajudar o Sporting (que ganhou o jogo por 3 a 1) a se classificar, era homenagear sua mãe, como explicou depois da partida em rede social.

“Essa comemoração era para minha mãe, que faz aniversário hoje. Um dia muito especial.”

Valeu a intenção, Teo.

Dona Cristina, a mãe que lutou para criar a ti a a teus irmãos sem muitos recursos, na violenta Barranquilla, se não entendeu a atitude na hora, certamente se emocionou depois.

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Reprodução/Twitter de Teo Gutiérrez

Em tempo: O árbitro Gräfe até pareceu compreender a razão de Teo ter-lhe furtado um dos instrumentos de trabalho. Mas, sorrindo discretamente, advertiu o colombiano com um cartão amarelo pelo “ato de indisciplina” (aspas minhas).