Erro bisonho deve tirar o Real Madrid da Copa do Rei

Por Luís Curro

Um erro duro de engolir. Tosco. Bisonho.

Não dos jogadores do Real Madrid, que em campo cumpriram o esperado e derrotaram o Cadiz, da terceira divisão, por 3 a 1 no jogo de ida da etapa classificatória para as oitavas de final da Copa do Rei.

Mas da cartolagem da equipe merengue, uma das mais profissionais do planeta… na teoria. Pois na prática o amadorismo prevaleceu.

Dirigentes e comissão técnica, senhores muito bem remunerados, cometeram uma falha que, se não houver manobra extracampo, eliminará o superpoderoso Real da competição, a segunda em importância na Espanha.

Ninguém no clube percebeu que o meia russo Denis Cherysev não podia ser escalado, pois tinha de cumprir suspensão nessa partida.

O motivo: defendendo o Villarreal na Copa do Rei 2014-2015, recebeu o terceiro cartão amarelo na competição contra o Barcelona, derrota por 3 a 1 que eliminou o Submarino Amarelo.

Cherysev não poderia ser utilizado no seu jogo seguinte pela Copa do Rei, e essa era o desta quarta (2) pelo Real, que atuou com um time misto – Cristiano Ronaldo, Kroos, Benzema e Bale, por exemplo, não jogaram.

Só que foi.

Cheryshev coça a cabeça ao ser substituído por Rafa Benítez (Marcelo del Pozo - 2.dez.2015/Reuters)
Cheryshev coça a cabeça ao ser substituído por Rafa Benítez (Marcelo del Pozo – 2.dez.2015/Reuters)

Durante a partida, ao ficar sabendo do fato (e do risco de punição), o treinador Rafa Benítez substituiu Cheryshev, que jogou todo o primeiro tempo e fez o primeiro gol do Real, logo aos 3 minutos.

Benítez alegou desconhecimento da situação, em desculpa pueril.

“Ninguém da federação, nem do Villarreal, nos falou nada, então pensamos que podíamos escalá-lo. Logo que soubemos, o substituímos, a fim de mostrar boa-fé.”

Tsc, tsc.

Quem deve zelar por saber se cada um de seus atletas tem condição de jogo é o clube, não terceiros.

Não há motivo para a Real Federação Espanhola de Futebol não excluir o Real da Copa do Rei, a não ser por razões comerciais – sabe-se que o gigante de Madri dá infinitamente mais retorno que o pequenino Cadiz.

Até porque há precedente: há apenas três meses, depois de um duelo de equipes da segunda divisão na Copa do Rei, o Osasuna foi eliminado devido à escalação de Unai Garcia diante do Mirandés; o jogador não poderia atuar por ter sido expulso em sua partida anterior no torneio.

O Cadiz já avisou que levará o caso para análise da federação. Se o Real se salvar no tapetão, tomara não aconteça, será um escândalo.

O julgamento está previsto para esta sexta (4).

Em tempo: Se no Campeonato Espanhol o Real Madrid tem ampla vantagem em número de títulos (são 32, contra 23 do Barcelona), na Copa do Rei o panorama é outro. O Real é “apenas” o terceiro maior vencedor, com 19 conquistas – está atrás do Barcelona (27) e do Athletic Bilbao (23). Assim, em caso de eliminação, os madridistas perdem a chance de encurtar a diferença.