Os caras de Dunga – Conexão Brasil-Barcelona

Por Luís Curro

Depois de assistir a Real Madrid 0 x 4 Barcelona, pelo Campeonato Espanhol, no sábado (21), um show de Suárez, Neymar, Iniesta e companhia, comecei a pensar se é possível a seleção brasileira jogar ao estilo do time catalão.

Ao lado do Bayern de Munique (treinado por Pep Guardiola, ex-Barcelona), o Barça é atualmente a equipe a ser tomada como exemplo. O futebol das duas equipes se baseia na ampla posse de bola, o que deixa o oponente com menos chances na partida.

E há o mérito de não ser aquele domínio estéril. Existe objetividade, e uma objetividade que até parece calculada, tão eficiente costuma ser.

Se o Brasil deve tentar “imitar” o Barcelona, essa é uma discussão ampla. Porém, se quiser, consegue?

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A resposta a essa pergunta passa pela formação tática e pela capacidade dos jogadores disponíveis.

Assim começou o Barcelona de Luis Enrique  o jogo contra o Real: Bravo; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Jordi Alba; Busquets, Sergi Roberto, Rakitic e Iniesta; Suárez e Neymar.

Um 4-4-2, com dois laterais que participam ativamente das ações ofensivas, um volante de contenção (Busquets), dois meias de bom toque de bola, um excelente articulador (Iniesta) e dois hábeis goleadores na frente.

Contra o Peru, pelas eliminatórias, assim foi escalado o Brasil de Dunga: Alisson; Daniel Alves, Gil, Miranda e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Elias e Renato Augusto; Willian, Neymar e Douglas Costa.

O Peru não é o Real Madrid, e o Brasil ganhou bem, por 3 a 0, nesse 4-3-3. Só que me incomodou o fato de Neymar, o melhor jogador do time, não render no papel de falso centroavante.

É possível a seleção se adaptar a esse 4-4-2 do Barça, assim: Alisson; Daniel Alves, Miranda, David Luiz (Gil) e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Elias, Renato Augusto e Lucas Lima; Hulk (Ricardo Oliveira, ou outro atacante a ser encontrado) e Neymar.

Com essa formação, Lucas Lima faria a função de Iniesta, Elias, a de Sergi Roberto, e Renato Augusto, a de Rakitic. Neymar poderia explorar à vontade a faixa esquerda do ataque, como adora fazer, ficando com Hulk (ou Ricardo Oliveira, ou outro atacante a ser encontrado) a faixa da direita.

Caberá à comissão técnica capacitar, em um sempre curto período de treinos, os jogadores a trocar muitos passes, ter paciência na criação das jogadas, desgastar o time adversário, definir os lances com consciência, ou seja, “barcelonizar” a seleção.

Há um problema evidente: com o time montado assim, dois jogadores que têm jogado bem nesta temporada, Willian e Douglas Costa, perdem espaço, passam a ser opções de banco. Parece evidente desperdício de talento, em prol de um esquema que possa dar mais resultado.

Claro que essa “barcelonização” é questionável, pois o Brasil abandonaria uma de suas principais características, a velocidade, para priorizar um jogo mais cadenciado.

Mas é fato que, nas duas últimas Copas do Mundo, triunfaram seleções que adotaram como regra o controle da posse da bola: Espanha (em 2010) e Alemanha (em 2014).

E o Messi? Ele está voltando ao Barcelona (após ficar quase dois meses fora devido a lesão), aí o esquema do time não muda?

Não muito. O conceito é o mesmo.

Messi ocupa a vaga de Sergi Roberto, o que torna o Barcelona ainda mais perigoso na construção das jogadas.

Sim, porque o hipertalentoso Messi, nesse Barcelona, irá cada vez mais armar o time, participar da criação, sem deixar de chegar com perigo à área. O esquema passa a ser o 4-3-1-2 (Messi é o “1”).

E na seleção, como fica?

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Neymar passa a ser o Messi da equipe canarinho. Renato Augusto deixa o time, jogam no meio Luiz Gustavo, Elias e Lucas Lima e, na frente, Hulk (ou Ricardo Oliveira, ou outro atacante a ser encontrado) pela direita e Douglas Costa pela esquerda. Em uma variação, Willian pode jogar no lugar de Douglas Costa.

O Brasil só volta a atuar pelas eliminatórias da Copa de 2018 (que será na Rússia) em março, então Dunga terá bastante tempo para pensar acerca da melhor maneira de a equipe jogar.

Mas que é interessante uma proposta que faça o Brasil se assemelhar ao Barcelona, isso é.

A seguir, o desempenho de cada jogador da última lista de Dunga (9 dos 23 atuam no Brasil) nos últimos dias:

Goleiros

Alisson (Internacional) – Chapecoense 1 x 0 Internacional (Brasileiro). Uma defesa em cada tempo. Sem culpa no gol. Internacional 1 x 0 Grêmio (Brasileiro). Com o Inter à frente, assegurou a vitória com três defesas no 2º tempo. Recebeu um cartão amarelo. Bom

Cássio (Corinthians) – Vasco 1 x 1 Corinthians (Brasileiro). Fez uma boa defesa no começo da partida. No gol, tentou fechar o ângulo de Júlio César, mas a bola passou pelo meio de suas pernas. Corinthians 6 x 1 São Paulo (Brasileiro). Com o jogo 0 a 0, fez grande defesa em chute de Rogério. Com o Corinthians ganhando por 6 a 1, defendeu pênalti (mal) batido por Alan Kardec. Sem culpa no gol. Ótimo

Jefferson (Botafogo) – ABC 1 x 2 Botafogo (Brasileiro – Série B). Pouco exigido, fez duas defesas fáceis. Não teve culpa no gol. Regular

Defesa

Daniel Alves (Barcelona-ESP) – Real Madrid 0 x 4 Barcelona (Espanhol). Bem na marcação e no apoio nessa vitória histórica do Barça. Bom

Daniel Alves, do Barcelona, duela com Danilo, do Real Madrid (Javier Soriano - 21.nov.2015/AFP)
Daniel Alves (6), do Barcelona, duela com Danilo, do Real Madrid (Javier Soriano – 21.nov.2015/AFP)

Miranda (Inter de Milão-ITA) – Inter 4 x 0 Frosinone (Italiano). Uma atuação tranquila diante de um adversário fraco. Recebeu cartão amarelo após cometer uma falta. Bom

David Luiz (PSG-FRA) – Lorient 1 x 2 PSG (Francês). Contundido, não foi relacionado para a partida. Sem avaliação

Filipe Luís (Atlético de Madri-ESP) – Betis 0 x 1 Atlético de Madri (Espanhol). Eficaz na defesa, apoiou algumas vezes o ataque, conquistando escanteios para o time. Recebeu um cartão amarelo depois de fazer uma falta. Bom

Danilo (Real Madrid-ESP) – Real Madrid 0 x 4 Barcelona (Espanhol). Perdeu, e por larga margem, o duelo com Neymar. No 2º tempo, foi deslocado para a lateral esquerda e, por ali, também não rendeu. Ruim

Gabriel Paulista (Arsenal-ING) – West Bromwich 2 x 1 Arsenal (Inglês). Ficou na reserva de Mertesacker e Koscielny. Sem avaliação

Gil (Corinthians) – Vasco 1 x 1 Corinthians (Brasileiro). Seguro, como na maioria dos jogos. Corinthians 6 x 1 São Paulo (Brasileiro). Poupado, ficou na reserva. Bom

Douglas Santos (Atlético-MG) – São Paulo 4 x 2 Atlético (Brasileiro). Suspenso, não jogou. Atlético 2 x 2 Goiás (Brasileiro). O gol de Bruno Henrique, o segundo do Goiás, foi nas suas costas. Fraco no apoio, ainda recebeu um cartão amarelo. Ruim

Meio-campo

Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE) – Wolfsburg 6 x 0 Werder Bremen (Alemão). Saiu do jogo, contundido, aos 34 minutos do 1º tempo – entrou Guilavogui. Até então, jogava bem: firme na marcação, acertou a trave em uma cabeçada. Bom

Elias (Corinthians) – Vasco 1 x 1 Corinthians (Brasileiro). Finalizou uma vez, para fora, no 1º tempo. Foi substituído por Lucca aos 26 minutos do 2º tempo. Corinthians 6 x 1 São Paulo (Brasileiro). Poupado, ficou na reserva. Regular

Fernandinho (Manchester City-ING) – Manchester City 1 x 4 Liverpool (Inglês). Entrou no jogo no intervalo, substituindo Yaya Tourá e com o City perdendo por 3 a 1. Melhorou um pouco a marcação no meio-campo. Regular

Oscar (Chelsea-ING) – Chelsea 1 x 0 Norwich (Inglês). Ficou na reserva até os 38 minutos do 2º tempo, quando substituiu Pedro. Jogou muito pouco – tem, aliás, jogado muito pouco, em tempo e em qualidade. Ruim

Willian protege a bola de Mulumbu na vitória do Chelsea sobre o Norwich (Matthew Childs - 21.nov.2015/Reuters)
Willian protege a bola de Mulumbu na vitória do Chelsea sobre o Norwich (Matthew Childs – 21.nov.2015/Reuters)

Willian (Chelsea-ING) – Chelsea 1 x 0 Norwich (Inglês). Correu bastante, apareceu nos dois lados do ataque, finalizou (o goleiro Ruddy salvou), deu bons passes, e suas cobranças de falta continuam perigosas. Recebeu um cartão amarelo. Saiu do jogo aos 42 minutos do 2º tempo – entrou Ramires. Bom

Lucas Lima (Santos) – Santos 0 x 0 Flamengo (Brasileiro). Suspenso, não jogou. Coritiba 1 x 0 Santos (Brasileiro). Repleto de reservas à sua volta, não rendeu o de sempre. Foi substituído por Léo Cittadini aos 21 minutos do 2º tempo. Regular

Renato Augusto (Corinthians) – Vasco 1 x 1 Corinthians (Brasileiro). Finalizou uma vez, para fora, no 1º tempo. Foi substituído por Rodriguinho aos 15 minutos do 2º tempo. Corinthians 6 x 1 São Paulo (Brasileiro). Poupado, ficou na reserva. Regular

Kaká (Orlando City-EUA) – Seu time não se classificou para os playoffs da Major League Soccer. Sem avaliação

Ataque

Neymar (Barcelona-ESP) – Real Madrid 0 x 4 Barcelona (Espanhol). Infernizou a vida de Danilo, no 1º tempo, e de Carvajal, no 2º. Marcou o segundo gol do Barça e deu, de calcanhar, a assistência para Iniesta fazer o terceiro. Continua em excelente forma. Ótimo

Hulk (Zenit-RUS) – Zenit 3 x 0 Ural (Russo). Depois de amargar a reserva nas duas partidas da seleção, começou no banco nesse jogo. Entrou só aos 33 minutos do 2º tempo, e com ele o time melhorou e fez dois gols. Bateu o escanteio que resultou no gol de Dzyuba. Bom

Douglas Costa treina para o jogo desta terça (24), contra o Olympiakos, pela Champions League (Matthias Schrader/Associated Press)
Douglas Costa treina para o jogo desta terça (24), contra o Olympiakos, pela Champions League (Matthias Schrader/Associated Press)

Douglas Costa (Bayern de Munique-ALE) – Schalke 1 x 3 Bayern (Alemão). Continua em boa fase. Apesar de não fazer gol ou dar assistência dessa vez, correu e driblou como sempre, conquistou  escanteios, arriscou a gol – faltou melhor pontaria. Bom

Ricardo Oliveira (Santos) – Santos 0 x 0 Flamengo (Brasileiro). Sem Lucas Lima, o Santos esteve muito pouco inspirado, e a bola quase não chegou ao artilheiro e capitão santista. Coritiba 1 x 0 Santos (Brasileiro). Poupado, ficou na reserva. Regular