Barcelona dá uma aula de futebol ao Real Madrid

Por Luís Curro

Começo a escrever este post ao término do primeiro tempo do clássico Real Madrid x Barcelona, no estádio Santiago Bernabéu, em Madri.

Jogo imperdível para o fã de futebol, valendo a liderança do Espanhol.

De um lado, o líder Barça, com 27 pontos, do outro, o Real, com 24. De um lado, Neymar, Suárez, Iniesta – Messi, retornando de contusão no joelho, na reserva. Do outro, Cristiano Ronaldo, Bale, Benzema, Kroos.

Estou boquiaberto.

O Barcelona simplesmente deu um show, uma aula de futebol ao Real, que, durante a semana, foi rotulado como “favorito” para o clássico por seu treinador, Rafa Benítez.

Amplo domínio territorial, passes contínuos de pé em pé (incluindo a participação constante do goleiro Bravo) com erros mínimos, marcação por pressão no campo do adversário, dribles curtos e calculados, aceleração das jogadas no momento certo.

Tudo isso o Barça mostrou, e ainda finalizou nove vezes e marcou dois gols, com Suárez e Neymar, em jogadas muito bem executadas – assistências de Sergi Roberto e Iniesta, respectivamente.

No Fox Sports, o comentarista de arbitragem Carlos Simon afirmou que o brasileiro estava impedido, mas, se de fato estava, foi por milímetros, não dá para culpar o bandeirinha no lance.

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Era para ter sido mais se, depois de ótima jogada entre Neymar e Suárez, Marcelo não tivesse salvado em cima da linha, de cabeça, chute do uruguaio.

O Real não viu a bola. O Barça teve na metade inicial do jogo 61% de posse da redonda, mas pareceu mais, tão pouco o Real conseguiu fazer. O time meregue pegava na bola, em questão de segundos a perdia. E isso mesmo com Kroos e Modric no meio-campo, dois ótimos passadores e condutores de bola.

A equipe de branco só finalizou uma vez, com o colombiano James Rodríguez, mas foi em uma sobra de bola, um lance esporádico.

Cristiano Ronaldo, o atual melhor jogador do mundo da Fifa, passou todo o tempo desgostoso, irritado até. É duro para um superartilheiro da estirpe do CR7, acostumado a ser protagonista, quase não pegar na bola, não ter chance de fazer gol, se ver no papel claro de coadjuvante.

No início do segundo tempo, o Real pressionou nos primeiros cinco minutos, na base do abafa, e finalizou três vezes, o triplo do que nos primeiros 45 minutos – Bravo fez grande defesa em chute de James.

Porém logo o Barça enterrou qualquer esperança de reação madridista. Aos 8 minutos, Iniesta tocou para Neymar, que lhe devolveu de calcanhar, e o capitão do time catalão acertou um chutaço no ângulo de Navas. Golaço.

De novo, me vi boquiaberto.

Sempre na base da pressão, o desorganizado Real ainda tentou, criou oportunidades, e o goleiro Bravo fez boas defesas – duas em conclusões de Cristiano Ronaldo.

O Barcelona, em contra-ataques, também teve outras ótimas chances, e o jogo poderia facilmente ter acabado 6 a 2, 7 a 3.

“El Pistolero” Suárez fechou o placar, 4 a 0, depois de receber ótimo passe do lateral Jordi Alba, que, em momento de “futebol total”, abandonou seu setor e se deslocou para o meio.

Que partida de Iniesta. Genial. (Joga fácil, sempre com a cabeça erguida, consciente demais, acertou 88% dos passes.)

Que partida de Suárez. Matador. (Podia ter feito pelo mais um gol, teve duas chances claras, e registrado um hat-trick.)

Que partida de Neymar. Periculoso ao extremo. (Velocidade, intensidade, dribles verticais, finalizações, assistência, gol. Nessa partida, ainda apanhou pra valer, tanto que Isco foi expulso depois de falta violenta.)

Que partida de Messi… Não. O argentino voltou a atuar depois de quase dois meses (entrou no lugar de Rakitic aos 12 minutos do segundo tempo) e estava sem ritmo de jogo.

Só que logo ele estará em ótima forma, e aí… é impossível supor que o Barcelona piore (pois esteve muito bem sem Messi, até surpreendentemente, com oito vitórias em dez jogos). Pelo contrário, a expectativa é que melhore.

São hoje no Espanhol seis pontos de vantagem do Barça para o Real Madrid, sete de diferença para o Atlético de Madri, que joga neste domingo (22) contra o Betis,  e esta é apenas a 12ª rodada de um total de 38.

Mas é impensável não imaginar que esse Barcelona comandado por Luis Enrique não conquiste a taça, a sua 24ª, para reduzir um pouco mais a ainda ampla vantagem do Real, maior campeão com 32 títulos.

Em tempo 1: Foi a maior goleada do clássico desde 29 de novembro de 2010, quase cinco anos atrás, quando o Barcelona, atuando em seu estádio, o Camp Nou, anotou 5 a 0, gols de Davi Villa (2), Xavi, Pedro e Jeffren. Desde então, e até a partida de hoje, tinham sido 21 confrontos, e em nenhum deles um dos times havia ganho por diferença superior a dois gols.

Em tempo 2: Rafa Benítez sobreviverá a esse massacre? Especula-se que Zinedine Zidane, um dos maiores craques que o futebol já viu e ídolo do Real Madrid, irá substituí-lo.