A “genialidade” de Dunga ao substituir aquele com pinta de decidir o jogo

Por Luís Curro

Há momentos em um jogo de futebol em que é possível observar o que está acontecendo e apostar: tá com pinta que esse cara vai decidir a partida.

Contra a Argentina, nesta sexta (13), em Buenos Aires, pelas eliminatórias da Copa de 2018, o Brasil perdia por 1 a 0 e, em noite pouco inspirada de Neymar, tinha dificuldade para penetrar na defesa adversária.

Em uma das raras oportunidades, Daniel Alves recebeu lançamento de Neymar na ponta direita e cruzou com precisão na direção de Douglas Costa, que havia acabado de entrar no lugar de Ricardo Oliveira.

Douglas Costa cabeceou, e a bola explodiu no travessão do goleiro Romero. No rebote, Lucas Lima chutou de canhota e venceu o arqueiro argentino.

Lucas Lima se redimia de falha no gol argentino, no 1º tempo – perdeu a bola no ataque para Banega, que serviu Di María, que driblou o mesmo Lucas Lima antes de tocar para Higuaín, que cruzou para Lavezzi marcar.

Eram 13 minutos do 2º tempo quando Lucas Lima fez o seu primeiro gol pela seleção, na primeira partida das eliminatórias para a Copa de 2018 que começou como titular, aliás, em decisão correta de Dunga, já que o talentoso meia do Santos tem jogado muito mais que Oscar.

X

Lucas Lima agradeceu aos céus, como sempre faz, e ganhava uma dose extra de confiança e de moral para comandar uma possível virada brasileira.

Pois bem: aos 18 minutos, sobe a placa exibindo que o número 20 seria substituído. Sai Lucas Lima, entra Renato Augusto.

Ou seja, apenas cinco minutos depois de Lucas Lima, que era o brasileiro que mais se movimentava e buscava construir jogadas em campo (ora pela esquerda, ora pela direita, ora pelo meio), era sacado por Dunga.

Estava cansado? Não parecia.

Estava pendurado, isso é fato: aos 15 minutos, cometeu uma falta e recebeu o cartão amarelo.

Mas Lucas Lima não é um David Luiz, que conseguiu a proeza de levar um amarelo e depois um vermelho no intervalo de dois minutos (aos 41 min e ao 43 min do 2º tempo), quase complicando a situação do Brasil.

Se foi por receio de ver o meia expulso, Dunga se precipitou. Basta olhar para a carreira do jogador de 25 anos. São perto de 220 partidas como profissional. Quantas expulsões? Zero.

Claro que é impossível saber se seria dessa vez a primeira vez, mas a probabilidade, considerando a personalidade de Lucas Lima (jogador calmo) e o seu retrospecto, seria mínima.

A outra justificativa possível para explicar a troca: com Renato Augusto, o time conseguiria prender mais a bola, ampliar o toque de bola.

Se entrou com esse objetivo, o corintiano fracassou. O jogo estava muito pegado, e Renato Augusto mal pôde pensar nas poucas vezes em que recebeu a bola. Preocupou-se mais com a marcação.

O empate no Monumental de Núñez, é necessário frisar, não foi um mau resultado para a seleção, que após três partidas está em quarto lugar, com quatro pontos, na zona de classificação para a Copa na Rússia.

Mas poderia ter sido melhor. Lucas Lima era o cara com pinta de que decidiria a partida. Não teve tempo para isso, graças a Dunga.

Aguardo a explicação, e espero, mas duvido, que seja plausível.

Em tempo: A Argentina, com o empate, perdeu a chance de ultrapassar em pontos o Brasil e, com apenas dois, está em nono e penúltimo lugar, à frente apenas da Venezuela (0).