O futuro do futebol pertence à África?

Por Luís Curro

Essa pergunta foi feita várias vezes mundo afora, e várias vezes foi respondida afirmativamente.

Na prática, na Copa do Mundo, que é o campeonato que realmente importa, a África nunca vingou. Sempre criou expectativa, mas sempre ficou pelo caminho.

“Falta disciplina tática”, cansei de ouvir de colegas de profissão. O que sempre considerei uma verdade. O futebol africano foi e é alegre, mas sempre pareceu, e ainda parece, faltar um quê de seriedade.

O mais longe que o continente chegou em Copas foi às quartas de final, com Camarões, na Itália-1990, Senegal, na Coreia/Japão-2002, e Gana, na África do Sul-2010.

Jogadores talentosos choveram aos montes, e quase todos evaporaram rapidamente.

Quantos marcaram a memória dos entusiastas da bola em Copas do Mundo? Poucos.

O camaronês Roger Milla, de Camarões, hoje com 63 anos, foi o mais famoso deles, tendo atuado nas Copas de 1982 (Espanha), 1990 (Itália) e 1994 (EUA). Nessa última, tinha 42 anos.

Os mais jovens que acompanham futebol internacional se lembram facilmente de Didier Drogba (Costa do Marfim) e Samuel Eto’o (Camarões). O auge de ambos já passou, mas jogaram demais por Chelsea e Barcelona, respectivamente. Só que em Copas do Mundo não encantaram.

Aos 37 anos, Drogba defende o Montreal Impact, time canadense que disputa a Major League (EUA). Aos 34 anos, Eto’o atua no Antalyaspor, da Turquia.

Da nova safra, citar quem? Cito um, e ele nem é tão novo assim.

Nascido na França, Pierre-Emerick Aubameyang, do Gabão, é o artilheiro da Bundesliga, o Campeonato Alemão, e também da Liga Europa. Veste a camisa do respeitável Borussia Dortmund.

Aubameyang tem 26 anos e, convenhamos, terá de jogar por ele e mais dez para conseguir classificar o seu país, que nunca foi a uma Copa, para a edição de 2018, na Rússia.

Mali's players celebrate after scoring against Belgium during the FIFA U-17 World Cup semifinal football match at La Portada stadium in La Serena, Chile, on November 5, 2015. AFP PHOTO /PHOTOSPORT - (Andres Pina - 5.nov.2015/AFP)
Jogadores do Mali festejam gol contra a Bélgica no Mundial sub-17 em La Serena (Andres Piña – 5.nov.2015/AFP)

Nova safra mesmo é a que dois países africanos estão vendo florescer agora para talvez brilhar na Copa seguinte, a de 2022, no desértico Qatar.

Pela segunda vez na história, duas seleções da África decidirão o Mundial sub-17, disputado desde 1991.

O Chile é a sede desta edição, que neste domingo (8) definirá seu 13º campeão. Nigéria e Mali duelarão. O SporTV 2 transmite, às 20 horas (de Brasília).

Os nigerianos, atuais campeões, são os favoritos e jogam pela sua quarta taça da competição. Se conseguirem, passarão o Brasil, que também tem três – a última em 2003.

A Nigéria, aliás, eliminou a seleção brasileira, por contundentes 3 a 0, nas quartas de final. Nas oitavas de final, atropelaram a Austrália (6 a 0) e na semifinal a vítima foi o México (4 a 2).

Na primeira fase, ganhou dos Estados Unidos (2 a 0), do Chile (5 a 1) e perdeu da Croácia (2 a 1).

Os malineses são a surpresa do Mundial. Estão invictos e têm a melhor defesa, com apenas dois gols sofridos em seis jogos. Eis a campanha: 0 a 0 (Bélgica), 2 a 1 (Equador), 3 a 0 (Honduras), 3 a 0 (Coreia do Norte, oitavas), 1 a 0 (Croácia, quartas) e 3 a 1 (Bélgica, semifinal).

Jogarão por uma conquista inédita e para parar o melhor ataque do torneio. A Nigéria marcou 21 gols.

Nove desse gols foram de um único jogador. O atacante Victor Osimhen. Este é o nome a ser memorizado.

Provavelmente deixará em breve seu clube na Nigéria para defender um grande europeu.

Outras promessas são: Nwakali, Chukwueze (Nigéria) e Maiga, Malle e o goleiro Diarra (Mali).

O nigeriano Osimhen donina a bola na vitória sobre o Brasil, em Viña del Mar (Andrés Piña – 1º.nov.2015/EFE)

Em tempo 1: Na primeira vez que duas seleções africanas duelaram em uma decisão de Mundial sub-17, 22 anos atrás, no Japão, deu Nigéria: 2 a 1 contra Gana. Nwankwo “Ele é Perigoso” Kanu fazia parte dessa equipe.

Em tempo 2: Nenhum jogador da seleção brasileira campeã mundial sub-17 há 12 anos, na Finlândia, fez sucesso estrondoso no futebol. Valem ser citados daquele time, por estarem na primeira divisão do Brasileiro-2015, Arouca (Palmeiras), Ederson (Flamengo), Jonathan (Fluminense) e o goleiro Marcelo Lomba (Ponte Preta). Na final, o Brasil ganhou da Espanha (de David Silva, hoje no Mancheter City, e Fàbregas, hoje no Chelsea) por 1 a 0, gol de Leonardo, atualmente zagueiro reserva do Santos.