Os caras de Dunga – A exclusão de Marcelo Grohe

Por Luís Curro

Neymar e Danilo estão de volta à seleção para os jogos contra Argentina e Peru pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

O Brasil enfrentará os argentinos em 12 novembro (uma quinta-feira), como visitante, e quatro dias depois receberá os peruanos em Salvador.

São retornos bem-vindos. O de Neymar dispensa explicações. Danilo possivelmente é o melhor lateral direito que o Brasil tem na atualidade.

O atacante Lucas Moura (PSG) e o lateral Fabinho (Monaco) foram os preteridos.

A outra novidade na lista de Dunga foi a presença do goleiro Cássio, do Corinthians, na vaga que até então era do gremista Marcelo Grohe.

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Ficou meio mal entendida essa não convocação de Grohe.

A justificativa de Dunga na quinta (22) para não chamar o goleiro gremista foi que ele não estava 100%, devido à recuperação de uma lesão no ombro.

Pois no domingo (25) Grohe voltou a ser titular do time gaúcho e se mostrou até mais que 100% na partida diante do Vasco (0 a 0) – fez boas defesas e, ao menos aparentemente, seu ombro está confiável.

Rodrigo Lasmar, médico da seleção, afirmou ao jornal “Zero Hora” que havia falado com Grohe na véspera da convocação e que o goleiro lhe disse que ainda sentia “desconforto” na região.

O Grêmio, contudo, informou que Grohe estava clinicamente bem e já treinava com bola.

Se ninguém está mentindo ou ocultando alguma informação:

– ou o desconforto de Grohe desapareceu tão logo ele não foi chamado para a seleção, e ele pôde assim ir a campo contra o Vasco;

– ou Grohe jogou mesmo com desconforto, o que não seria adequado nem do ponto de vista físico nem do psicológico.

Depois da partida, em entrevista, o goleiro declarou não ter ficado chateado pela ausência na lista de Dunga e que continuará seu trabalho para futuramente voltar a ser chamado. Não disse em que momento seu desconforto foi embora, se é que de fato foi.

Não ficou chateado? Todo jogador excluído de uma convocação, depois de ter sido chamado na anterior, chateia-se. É normal e esperado.

Grohe, porém, disse que não, que os outros goleiros chamados são “excelentes”. Cássio, que o substitui, sim, é mesmo – o melhor da posição no Brasil. Jefferson e Allison oscilam muito – e não são melhores do que Grohe.

Marcelo Grohe celebra gol do Brasil na vitória por 4 a 1 sobre os EUA, em amistoso (Don Emmert - 8.set.2015/AFP)
Marcelo Grohe celebra gol do Brasil na vitória por 4 a 1 sobre os EUA, em amistoso (Don Emmert – 8.set.2015/AFP)

Aos 28 anos, Grohe, se tem mesmo a pretensão de atuar pela seleção (e ele tinha toda condição de se firmar como titular), poderia não ter falado em desconforto na conversa com Lasmar.

Fica no ar a sensação de que Dunga, ao saber, decidiu excluir Grohe por considerar que um jogador não pode deixar que um simples desconforto o esteja incomodando.

Ao citar o desconforto, Grohe pode ter passado naquele momento, inconscientemente, a mensagem de pouca confiança em seu poder de recuperação e/ou de desinteresse na seleção. Falta de comprometimento.

Dunga diz que ninguém pode deixar “a cadeira vazia” em seu time, ou vem outro e senta.

Cássio sentou na de Grohe.

A seguir, o desempenho de cada jogador convocado pela última vez por Dunga (8 dos 23 atuam no Brasil) nos últimos sete dias:

Goleiros

Alisson (Internacional) – Internacional 1 x 0 Joinville (Brasileiro). Fez uma defesa fácil, em chute de longe, no 1º tempo, e uma muito difícil, em chute da pequena área, no 2º tempo. Bom

Jefferson (Botafogo) – Náutico 1 x 4 Botafogo (Brasileiro – Série B). No 1º tempo, fez duas defesas fáceis; no 2º, uma menos fácil. Não teve culpa no gol. Bom

Cássio (Corinthians) – Corinthians 1 x 0 Flamengo (Brasileiro). Sereno, não foi exigido pelo ataque flamenguista, pífio nesse jogo. Bom

Defesa

Daniel Alves (Barcelona-ESP) – Bate Borisov 0 x 2 Barcelona (Champions League). Não foi exigido na marcação, mas aventurou-se pouco ao ataque. Barcelona 3 x 1 Eibar (Espanhol). Novamente não foi exigido na marcação; aventurou-se um pouco mais ao ataque que no jogo anterior, mas não efetuou nenhuma ótima jogada. Sem culpa no gol do Eibar. Regular

Miranda (Inter de Milão-ITA) – Milan 0 x 1 Inter (amistoso). Não foi relacionado para esse duelo. Palermo 1 x 1 Inter (Italiano). Em alguns lances, o capitão de Dunga nas mais recentes partidas do Brasil posicionou-se mal, marcando a bola e não o rival. Quando acompanhou o adversário, perdeu jogada aérea para Gilardino. No gol, falhou: em cruzamento, a bola bateu em sua perna e sobrou para Gilardino, livre, empurrar para a rede. Ruim

David Luiz (PSG-FRA) – PSG 0 x 0 Real Madrid (Champions League). Contundido no joelho, não ficou nem no banco.  PSG 4 x 1 Saint-Etienne (Francês). Ainda em recuperação, assistiu à partida das tribunas do Parc des Princes. Sem avaliação

Marcelo (Real Madri-ESP) – PSG 0 x 0 Real Madrid (Champions League). Não apoiou tanto como costuma; atrás, ganhou o duelo contra Di María e, depois, contra Lucas Moura. Celta 1 x 3 Real Madrid (Espanhol). O Celta deu trabalho ao Real mesmo com um homem a menos a partir dos 11 minutos do 2º tempo, quando o beque argentino Cabral foi expulso, e Marcelo foi decisivo ao salvar, em cima da linha, conclusão de Nolito, impedindo o primeiro gol da equipe mandante. No ataque, foi como é praxe presença constante, inclusive aos 51 minutos do 2º tempo: no último lance da partida, recebeu na área lançamento de Cheryshev e fez o terceiro gol do Real. Ótimo

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Danilo (Real Madrid-ESP) – PSG 0 x 0 Real Madrid (Champions League). Sem a concorrência de Carvajal, Danilo passa a ter a chance de se firmar na lateral direita do Real, e tem tudo para conseguir. Diante do forte ataque do PSG (Ibrahimovic, Cavani e Di María), mostrou-se firme na marcação. No apoio, esteve discreto. Celta 1 x 3 Real Madrid (Espanhol). Em avanço pelo frágil setor esquerdo defensivo do time de Vigo, Danilo marcou seu primeiro gol com a camisa do Real: recebeu passe de Jesé e, totalmente desmarcado, chutou no canto do goleiro Sergio Álvarez para abrir o placar para o clube da capital – foi seu primeiro gol com a camisa do Real. Apesar da forte pressão do Celta, não comprometeu na marcação. Ótimo

Marquinhos (PSG-FRA) – PSG 0 x 0 Real Madrid (Champions League). Com ele e Thiago Silva na zaga, o time conseguiu parar o superartilheiro Cristiano Ronaldo e não tomou gol contra um dos melhores ataques da Europa. PSG 4 x 1 Saint-Etienne (Francês). Mais uma vez formou dupla com Thiago Silva, mais uma vez esteve bem. No gol do Saint-Etienne, teve participação, não culpa: ao tentar afastar a bola da área, ela bateu na canela de Verratti e entrou no gol do PSG. Bom

Gil (Corinthians) – Corinthians 1 x 0 Flamengo (Brasileiro). O ataque do Flamengo quase não o exigiu. Seguro. Bom

Filipe Luís (Atlético de Madri-ESP) –Atlético de Madri 4 x 0 Astana (Champions League). Ficou na reserva de Guilherme Siqueira. Atlético de Madri 2 x 1 Valencia (Espanhol). De volta ao time, mostrou competência na marcação. Um chutão seu para o alto acabou sobrando para Jackson Martínez abrir o marcador para o Atlético. Bom

Meio-campo

Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE) – Wolfsburg 2 x 0 PSV Eindhoven (Champions League). Apareceu para o jogo sem o tradicional bigodinho e mostrou o de sempre: boa marcação e raras aparições ofensivas – chutou uma vez a gol, para fora. Darmstadt 0 x 1 Wolfsburg (Alemão). Os mesmos visual e futebol do jogo anterior – sem o chute para fora. Regular

O volante Luiz Gustavo (dir.) em Wolfsburg x PSV, na Champions League Martin Meissner - 21.out.2015/Associated Press)
O volante Luiz Gustavo (dir.) em Wolfsburg x PSV, na Champions League (Martin Meissner – 21.out.2015/Associated Press)

Elias (Corinthians) – Corinthians x Flamengo (Brasileiro). Correu muito, como costuma fazer. Esteve bem na marcação e, em uma de suas constantes e conscientes idas ao ataque, sofreu um pênalti não marcado. Recebeu cartão amarelo por reclamação e está fora do próximo jogo. Bom

Fernandinho (Manchester City-ING) – Manchester City 2 x 1 Sevilla (Champions League). Quando joga ao lado de Yaya Touré, fica mais preso à defesa, como primeiro volante, para liberar o marfinense. Cumpriu bem seu papel. Manchester United 0 x 0 Manchester City (Inglês). Mesmo ao lado de Fernando, que joga mais preso na defesa, Fernandinho arriscou poucas idas ao ataque – em uma deles, tabelou com Sterling, que desperdiçou. Regular

Oscar (Chelsea-ING) – Dinamo de Kiev 0 x 0 Chelsea (Champions League). Entrou aos 30 minutos do 2º tempo, substituindo Fàbregas. Nada fez. West Ham 2 x 1 Chelsea (Inglês). Ficou na reserva. Ruim

Willian (Chelsea-ING) – Dinamo de Kiev 0 x 0 Chelsea (Champions League). O melhor do time no empate sem gols. Movimentou-se pelo meio e pelos lados do campo. No começo do jogo, chutou de esquerda (o goleiro pegou); no fim, de direita (a bola passou perto da trave); e no meio, por pouco não fez em cobrança de falta (a bola bateu no travessão). West Ham 2 x 1 Chelsea (Inglês). A crise do Chelsea na Premier League parece não ter fim, e Willian tem sido um dos poucos a atuar acima da média dos seus colegas. Cobrou o escanteio que originou o gol de Cahill. Recebeu um cartão amarelo após fazer uma falta. Bom

Lucas Lima (Santos) – São Paulo 1 x 3 Santos (Copa do Brasil). Não se intimidou com a chuva e mais uma vez foi o motorzinho do time. Participou do primeiro gol, em jogada concluída por Gabriel, e cruzou a bola na cabeça de Marquinhos Gabriel, autor do terceiro gol. Figueirense 0 x 0 Santos (Brasileiro). Armou jogadas e tentou alguns lances individuais, porém o Santos, no conjunto, não estava inspirado. Bom

Renato Augusto (Corinthians) – Corinthians 1 x 0 Flamengo (Brasileiro). Não bisou o ótimo desempenho do jogo da semana anterior contra o Atlético-PR, mas sofreu a falta que resultou na expulsão de Jonas e deu uma finalização de fora da área, defendida pelo goleiro Paulo Victor, e um ótimo passe para conclusão, desviada pela defesa, de Jadson. Bom

Kaká (Orlando City-EUA) – Philadelphia 1 x 0 Orlando (Major League). Kaká deu uma cabeçada a gol após escanteio, defendida pelo goleiro, com 2 minutos de jogo, e foi só. O Orlando, que precisava ganhar e ainda torcer contra o New England para avançar aos mata-matas, está fora. Ruim

Ataque

Neymar (Barcelona-ESP) – Bate Borisov 0 x 2 Barcelona (Champions League). Esteve longe de repetir o desempenho da partida anterior, quando marcou quatro gols e encantou. Mas jogou bem, dando as assistências que resultaram nos gols de Rakitic. Barcelona 3 x 1 Eibar (Espanhol). Novamente não fez gol, mas novamente criou as melhores jogadas da equipe. Suárez marcou dois dos seus três gols após assistências de Neymar, que ainda iniciou a jogada do primeiro gol do uruguaio. Bom

Hulk comemora gol contra o Lyon, na Champions League (Olga Maltseva - 20.out.2015/AFP)
Hulk comemora gol contra o Lyon, na Champions League (Olga Maltseva – 20.out.2015/AFP)

Hulk (Zenit-RUS) – Zenit 3 x 1 Lyon (Champions League). Ficou pendurado logo aos seis minutos, depois de receber cartão amarelo, mas controlou-se. Ainda no 1º tempo, arriscou da entrada da área e o goleiro Lopes espalmou para escanteio. No 2º tempo, roubou a bola de Gonalons no meio-campo, conduziu-a até a intermediária do Lyon e disparou um petardo, sem defesa para Lopes, fazendo Zenit 2 a 1; depois, iniciou a jogada do terceiro gol da equipe russa. Zenit 5 x 1 Anzhi (Russo). Grandiosa atuação do paraibano. No primeiro gol, foi à linha de fundo como um ponta esquerda e cruzou na cabeça de Dzyuba. No segundo gol, cobrou falta, o goleiro não segurou, e Witsel marcou no rebote. No quarto gol, tabelou com Dzyuba, invadiu a área pela direita e cruzou para Shatov tocar para a meta vazia. O quinto gol foi dele: recebeu lançamento pelo alto, desviou do goleiro com um leve toque e só não entrou com bola e tudo porque não quis. Admirável a semana de Hulk. Estupendo

Douglas Costa (Bayern de Munique-ALE) – Arsenal 2 x 0 Bayern (Champions League). Não esteve tão bem quanto em outras partidas, sendo menos incisivo nas jogadas ofensivas. Deu um chute a gol, defendido por Cech. Bayern 4 x 0 Colonia (Alemão). Mesmo com o retorno de Robben, recuperado de lesão, à equipe titular, Douglas Costa permaneceu no time – quem não jogou foi Thiago Alcántara. Em cobrança de falta, alçou a bola na área para Lewandowski cabecar e fazer o terceiro gol. Teve sua chance aos 28 minutos do 2º tempo, mas o zagueiro dinamarquês Sörensen salvou em cima da linha. Bom

Ricardo Oliveira (Santos) – São Paulo 1 x 3 Santos (Copa do Brasil). Fez o que se espera de um goleador. Sob chuva, com o campo encharcado, jogo empatado em 1 a 1, após escanteio a bola “o procurou” na grande área, no primeiro minuto do 2º tempo, e ele chutou firme para colocar o Santos à frente e dar tranquilidade ao time. Figueirense 0 x 0 Santos (Brasileiro). Poupado por Dorival Junior em boa parte do jogo, só entrou em campo aos 27 minutos do 2º tempo, no lugar de Nilson. Não teve nenhuma chance de finalizar. Bom