Melhores da Fifa – Argentina 5 x 1 Brasil

Por Luís Curro

A Fifa e a revista francesa “France Football” divulgaram nesta terça-feira (20) os indicados aos prêmios de melhor jogador e de melhor técnico da temporada. Integram a lista 23 atletas (um deles ganhará a Bola de Ouro) e 10 treinadores.

Neymar é o único brasileiro a concorrer. No geral, o Brasil levou uma surra da Argentina, que tem cinco nomes. São três jogadores (Messi e Mascherano, do Barcelona, e Agüero, do Manchester City) e dois treinadores (Diego Simeone, do Atlético de Madri, e Jorge Sampaoli, da seleção do Chile).

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A relação é um reflexo do mau momento dos brasileiros, os que correm atrás da bola e os que armam os esquemas táticos.

É evidente que, para concorrer aos prêmios, é preciso estar em evidência na Europa, e, na maioria das vezes, em um grande centro desse continente (Inglaterra, Itália, Espanha, França, Alemanha). Dos 23 jogadores selecionados, todos atuam em equipes desses países.

E quem do Brasil brilha atualmente, com regularidade? Neymar… e Douglas Costa, do Bayern de Munique.

Por que então ele não está na lista? Porque até o meio deste ano atuava pelo Shakhtar Donetski, da Ucrânia. Estava na periferia da bola. Se mantiver o ritmo atual, Douglas Costa será indicado em 2016.

Cito também Thiago Silva e David Luiz (que está lesionado), do Paris Saint-Germain. Formam no atual tricampeão francês uma das melhores duplas de zaga da atualidade. Não se pode afirmar que brilham, mas jogam bem com muita frequência.

Só que é raro haver jogadores de defesa em listas de melhores do mundo – tanto que nesta só aparece o zagueiro-volante Mascherano, além do goleiro alemão Neuer (Bayern).

Aliás, entre os brasileiros, até brilhar sem regularidade está difícil. Excluindo Douglas Costa e Neymar, dos que atuam na Europa e foram convocados por Dunga para os primeiros duelos nas eliminatórias, Hulk (Zenit), Willian (Chelsea) e Marcelo (Real Madrid) até têm jogado bem, mas não sempre. Os demais oscilam, precisam mostrar mais futebol – até para merecer continuar na seleção brasileira.

Treinador brasileiro? Atualmente não há um único nas principais ligas europeias. Em outros países, lembro de cabeça de Felipão, Cuca (ambos no futebol chinês) e Abel Braga (no dos Emirados Árabes). Onde estão, a não ser que um deles ganhe o Mundial de Clubes (Felipão tem chance de chegar lá), nunca disputarão o prêmio de Técnico do Ano da Fifa.

O melhor para mim hoje, disparado, é Tite, do Corinthians, virtual campeão do Brasileiro-2015. É ele quem deveria estar na seleção brasileira, não Dunga, que já teve sua oportunidade na Copa da África do Sul, em 2010, e caiu nas quartas de final.

Nos prêmios da Fifa de jogador e técnico, depois da Argentina, os países que mais têm concorrentes são a França, com dois atletas (Pogba, da Juventus, e Benzema, do Real Madrid) e dois treinadores (Blanc, do PSG, e Arsène Wenger, do Arsenal), e a Espanha, com um jogador (Iniesta, do Barcelona) e três treinadores (Guardiola, do Bayern, Luis Enrique, do Barcelona, e Unai Emery, do Sevilla).

A Alemanha emplacou três jogadores: Neuer e Thomas Müller (Bayern) e Kroos (Real Madrid). A Itália, nenhum jogador, porém dois treinadores: Allegri (Juventus) e Ancelloti (Real Madrid). Chile e Bélgica, dois jogadores cada um: Alexis Sánchez (Arsenal) e Vidal (Bayern), do lado chileno, Hazard (Chelsea) e De Bruyne (Manchester City), do belga.

Agora, capitães e treinadores de seleções nacionais e jornalistas selecionados pela entidade máxima do futebol votarão nos seus melhores. O período para a avaliação do desempenho dos atletas e treinadores vai de 22 de novembro de 2014 a 20 de novembro de 2015.

No final de novembro, haverá o anúncio dos três finalistas. Messi e Cristiano Ronaldo, não há como imaginar diferente, serão dois deles.

O terceiro? Eu não aposto em Neymar, mas no polonês Robert Lewandowski, artilheiro do Bayern de Munique (17 gols) na campanha do tricampeonato do time na Bundesliga, em 2014-2015, artilheiro deste Campeonato Alemão (12 gols em 9 jogos) e autor de cinco gols no intervalo de nove minutos na partida diante do Wolfsburg.

Neymar em treino para o jogo da Champions contra o BATE, no qual deu dois passes para gol (Alejandro García - 19.0ut.2015/EFE)
Neymar em treino para o jogo da Champions League contra o Bate, no qual deu dois passes para gol (Alejandro García – 19.out.2015/EFE)

Os finalistas serão anunciados no dia 30 de novembro, e o vencedor será conhecido em 11 de janeiro de 2016.

Em tempo: Torcerei para que Jorge Sampaoli ganhe o prêmio de melhor técnico. Será merecido. Ele faz um trabalho espetacular no comando de uma equipe que, como o Brasil, tem apenas um fora de série (Alexis Sánchez) e faturou, de forma invicta, a Copa América deste ano – nas eliminatórias para a Copa de 2018, tem até agora, após dois jogos, 100% de aproveitamento (derrotou Brasil e Peru).