Mundial de Lendas – Convoquem o Maradona

Por Luís Curro

O argentino Diego Armando Maradona, El Diez, é uma lenda viva do futebol. Não há dúvida disso.

Até alguns anos atrás, discutia-se com entusiasmo nas boas rodas de papo boleiro quem foi o melhor jogador de todos os tempos: Pelé ou ele?

Hoje, discute-se se Messi já não é mais que Maradona. Para mim, não. E, para mim, dificilmente será.

Pois Maradona foi mais que um craque, mais que um gênio. Reinou na Itália nos anos 1980. Transformou um time comum, limitado até, o Napoli, em campeão. Fez gol com “a mão de Deus” em Copa do Mundo (a de 1986). Ganhou uma Copa “sozinho” (essa mesma, no México). Por um triz, não ganhou outra (Itália-1990).

Teve, contudo, momentos de ruína. Na Copa dos EUA-1994, por exemplo, caiu em desgraça ao ser flagrado em exame antidoping.

Para o bem ou para o mal, Maradona foi um mito. Ainda é.

Aonde vai, ele gera atenção. Dias atrás, o vi acompanhando a seleção de rúgbi de seu país no Mundial, na Inglaterra. Torcia feito um maluco, celebrava cada jogada entusiasticamente, abraçava as pessoas ao seu redor. Depois, foi ao vestiário festejar com os compatriotas, bater fotos.

Não tem papas na língua, então vive provocando polêmicas. Solta palavrões aos montes. Comandava um programa de TV na Venezuela.

Ele dá ibope. É um showman.

Maradona beija a noiva, Rocío Oliva, em visita a Caracas, capital da Venezuela (Miguel Gutiérrez - 28.fev.2015/EFE)
Maradona beija a noiva em Caracas, capital da Venezuela (Miguel Gutiérrez – 28.fev.2015/EFE)

Assim, no caso de um torneio que reúna os melhores ex-jogadores do futebol mundial ser organizado, Dieguito tem presença assegurada, certo?

Não para o mexicano Jorge Campos, famoso pelos uniformes com cores berrantes que vestia quando era goleiro e que atua como embaixador do primeiro Mundial de Lendas, anunciado para 2017, no México, e organizado pela empresa privada World Sports Company.

Participarão Brasil, Argentina, EUA, México, Alemanha, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Holanda, Japão e África do Sul. (Há lendas do futebol na África do Sul???)

“Todo mundo irá querer ver Diego Maradona, mas ele não pode jogar. Está muito velho”, disse Campos, que será o treinador da seleção de seu país.

E, dentro do que se planeja, é verdade. Maradona está com 54 anos e esse campeonato, que se de fato vingar deve ser muito interessante, planeja contar com ex-jogadores que tenham entre 35 e 45 anos. Para partidas mais curtas, de 60 minutos, sem limite de substituições. No meio do ano, a fim de não concorrer com o calendário europeu.

Além disso, Maradona está gordo, totalmente fora de forma – não parece ter condição de dar um pique de 50 metros. Afora o fato de ter um coração frágil, abalado por problema anteriores de consumo de drogas.

Assim, Maradona não estará em campo, diferentemente do que pode acontecer com Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos (Brasil), Beckham (Inglaterra), Zidane (França), Verón (Argentina), Ballack (Alemanha), Maldini (Itália), Kluivert (Holanda), Mendieta (Espanha), Donovan (EUA) e outros.

Porém não seria nada mau vê-lo dando espetáculo à beira do gramado no comando da seleção argentina. E, quando a bola passar perto, “dar uma palinha”, fazer uma graça com a velha amiga, umas embaixadinhas.

Campos e companhia, convidem-no, por favor. Mesmo sendo o torneio anunciado como beneficente (com arrecadação de verba para fundações mexicanas), deem-lhe um bom cachê, que todo mundo sabe que ele adora.

E, proposta aceita, ponham uma câmera só para acompanhar suas reações durante os jogos. O retorno de visibilidade e de audiência é garantido.

Pois um Mundial de Lendas sem a lenda Maradona terá de ter outro nome – sem a palavra lenda.

Maradona beija o papa Francisco em visita ao Vaticano (Vincenzo Pinto - 1ºset.2014/AFP)
Maradona beija o papa Francisco em visita ao Vaticano (Vincenzo Pinto – 1ºset.2014/AFP)

Em tempo: E o Pelé, hein? Que tal o Rei do Futebol, que completa 75 anos neste mês, para dirigir a seleção brasileira? Difícil, devido à infinidade de compromissos comerciais que ele tem (e nem sei se teria vontade de participar do evento), mas… não custa sondar. Seria um golaço.