Sem Messi, a hora e a vez de Neymar (ou de Suárez)

Por Luís Curro

Messi se machucou no sábado (26), na partida do Campeonato Espanhol contra o Las Palmas.

Sofreu com menos de dez minutos de jogo uma lesão no ligamento colateral interno do joelho esquerdo.

A previsão inicial de recuperação indica que o cracaço argentino ficará dois meses fora do gramado.

Ruim para o Barcelona e para a seleção da Argentina, que terão de se virar sem ele por esse período.

Bom para Neymar e para o uruguaio Luis Suárez, que forma(va)m com Messi o letal trio (MSN) de ataque do Barça.

Bom?!? É bom não ter ao lado o quatro vezes melhor do mundo? Um cara que desequilibra qualquer jogo? Que vive deixando os colegas na cara do gol com passes açucarados?

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Se a ideia é ser coadjuvante, de fato, é péssimo não ter Messi por perto.

Agora, se a intenção é ser protagonista, almejar o posto de estrela principal da companhia, a ausência de Messi é essencial.

Com ele, tem sido impossível competir. Em 2014-2015, por exemplo, Messi atuou em 56 partidas (somando La Liga, Copa do Rei e Champions League), marcou 58 gols, média superior a um gol por jogo, e deu 23 passes para gol, quase um a cada dois jogos.

Assim, esta é uma senhora chance para Neymar, disparado o melhor jogador de futebol brasileiro da atualidade, mostrar a todos que pode, a seu estilo, comandar o Barça.

Caso não o faça, é capaz de Suárez fazer. Luisito parece na maiorias das vezes ter mais fome de gol, mais raça e mais objetividade que Neymar.

Tanto que, apesar de não ter feito, na minha opinião, uma temporada 2014-2015 melhor que a de Neymar, Suárez foi finalista do prêmio de melhor jogador da Europa. Neymar, não.

Neymar, para mim, é mais jogador que Suárez – até já os comparei, neste post.

Mas tem que mostrar na prática, a começar por não desperdiçar pênalti – errou contra o Las Palmas. Já Suárez fez os dois gols do Barça, que ganhou por 2 a 1.

Os números da temporada 2015-2016 até agora são, incluindo La Liga, Champions, Supercopa da Espanha e Supercopa da Europa (Neymar, com caxumba, não participou das duas últimas):

Messi (28 anos) – 9 jogos, 6 gols, 2 assistências, 3 pênaltis batidos, 2 pênaltis perdidos, 0 cartão amarelo

Suárez (28 anos) –  9 jogos, 5 gols, 1 assistência, 0 pênalti batido, 2 cartões amarelos

Neymar (23 anos) – 6 jogos, 3 gols, 0 assistência, 1 pênalti batido, 1 pênalti perdido, 0 cartão amarelo

Se Messi voltar a jogar só bem no final de novembro, conforme esperado, Neymar e Suárez “duelarão” pelos holofotes em 10 partidas (6 no Espanhol, 4 na Champions).

Logicamente que na frente das câmeras ambos dirão que não existe disputa, que eles farão o possível para que o Barcelona seja vitorioso, que o coletivo supera o individual etc. etc. etc. Mas na prática não é exatamente assim.

Afinal, no futebol, é sempre almejado pelos grandes jogadores, mesmo que inconscientemente, deixar o campo como “o homem do jogo”. (Melhor ainda se for em “El Classico”, o duelo com o arquirrival Real Madrid no dia 22 de novembro.)

Messi, sem querer, abriu o caminho para Neymar. Agora, o astro brasuca tem de percorrê-lo a passos firmes, com pompa, competência e brilho.

Sem pedir licença.

Em tempo: Já que citei estatísticas do trio MSN, incluo, para comparação, o que o português Cristiano Ronaldo, 30 anos, eleito o melhor do mundo de 2014, fez até agora em 2015-2016 no Real Madrid (inclui Espanhol e Champions): 7 jogos, 8 gols, 1 assistência, 3 pênaltis batidos, 0 pênalti perdido, 2 cartões amarelos.