Seis brasileiros entram para a história junto com artilheiro polonês

Por Luís Curro

Cinco gols em nove minutos.

Esse foi o feito do polonês Robert Lewandowski, de 27 anos e 1,84 m, na vitória por 5 a 1, de virada, do Bayern de Munique sobre o Wolfsburg no Campeonato Alemão, nesta terça (22).

Isso todo mundo que acompanha futebol europeu já está sabendo há pelo menos algumas horas, pois a notícia foi amplamente noticiada nos sites esportivos.

Lewandowski entrou para a história. Não há registro, ao menos que tenha sido divulgado pela mídia especializada, de um jogador de futebol que tenha feito, em uma liga de ponta, tantos gols em intervalo tão curto de tempo.

Li no “Jornal de Notícias”, de Portugal, que a marca anterior pertencia ao húngaro László Kubala, do Barcelona, que na temporada 1951-1952 marcou cinco gols, em 19 minutos, no Celta de Vigo.

Lewandowski entrou no intervalo e fez gol aos 6min (quase na pequena área), aos 7min (de fora da área), aos 9min (na entrada da pequena área), aos 12min (da grande área), e o grand finale aos 15min (da grande área, o mais bonito, um voleio à la Bebeto, campeão com a seleção brasileira na Copa de 1994).

Fenomenal. (E a cara do técnico Pep Guardiola, uma mescla de incredulidade e deleite, é impagável.)

Todos os gols foram com os pés (quatro com o direito, natural já que Lewandowski é destro, e um com o esquerdo), nenhum com a cabeça. Detalhe, mas é válido registrar.

Douglas Costa abraça Lewandowski; em primeiro plano, de costas, Dante (Michael Dalder/Reuters)
Douglas Costa abraça Lewandowski; em primeiro plano, de costas, Dante (Michael Dalder/Reuters)

O que poucos órgãos da imprensa destacaram foi a presença de cinco brasileiros (um deles com cidadania espanhola) atuando nessa partida, disputada diante de 75 mil torcedores na Allianz Arena, em Munique. Eles também entraram para a história, mesmo que como coadjuvantes.

Dois deles são colegas de Lewandowski no Bayern. O atacante Douglas Costa fez a jogada do quarto gol: foi à linha de fundo em alta velocidade e cruzou para o polonês finalizar. O volante Thiago Alcántara jogou o 1º tempo e foi substituído – Lewandowski entrou justamente em seu lugar.

Os zagueiros Naldo e Dante e o volante Luiz Gustavo defenderam o Wolfsburg. Certamente ficaram atordoados com o show do polonês, especialmente a dupla de zaga. Luiz Gustavo nem estava mais em campo no quinto e último gol – havia sido substituído um minuto antes.

Para Dante, recém-chegado ao clube (atuava antes justamente pelo Bayern), e Luiz Gustavo, foi uma espécie de déjà vu. Na Copa de 2014, com a suspensão do capitão Thiago Silva, Dante foi titular da seleção brasileira, assim como Luiz Gustavo, no fatídico dia do 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão. Naquele 8 de julho, em um espaço de 18 minutos, entre os 11 e os 29 minutos da 1ª etapa, os alemães fizeram 5 a 0 no Brasil, com quatro jogadores diferentes.

O curioso é que Dante, quando defendia o Bayern, participou, há não tanto tempo, de uma outra partida em que o clube goleou o Wolfsburg por placar ainda maior: 6 a 1, também de virada e também pela Bundesliga, em 8 de março de 2014, só que em Wolfsburg. Só que ninguém esteve perto de fazer cinco gols. O tento do time da casa foi de Naldo, beque que defende os Lobos há dez temporadas. Luiz Gustavo não atuou nesse confronto.

Naldo consola Guilavogui; um dia para o Wolfsburg esquecer (Michael Dalder/Reuters)
Naldo consola Guilavogui; um dia para o Wolfsburg esquecer (Michael Dalder/Reuters)

Vale mencionar um sexto brasileiro no jogo histórico de ontem. Rafinha, lateral da equipe de Munique, não entrou em campo. No mesmo dia em que pediu para ser desconvocado da seleção, assistiu ao espetáculo de Lewandowski do banco de reservas.

Nascido em Varsóvia, a capital polonesa, Lewandowski defende o Bayern desde o meio do ano passado. É um baita centroavante. Falei um pouco dele neste post, de apresentação da temporada 2015-2016 da Bundesliga.

Com ele, a Polônia está perto de se classificar para a Eurocopa de 2016, na França. Depende exclusivamente de suas forças a duas rodadas do término das eliminatórias, nas quais, em oito jogos, Lewandowski marcou dez gols – é o artilheiro até agora, dois gols à frente do colega de Bayern Thomas Müller.

Com ele, a Polônia tem esperança de se classificar para a Copa de 2018, na Rússia. O país, terceiro colocado na Alemanha-1974 e na Espanha-1982, esteve pela última vez em um Mundial na Alemanha-2006, quando caiu na primeira fase.

Com ele, o Bayern visitará o Mainz no sábado (26), às 10h30 (no horário de Brasília), pela Bundesliga. Fica a expectativa em relação ao desempenho de Lewandowski.

Pois, para voltar a ganhar as manchetes com tanta ênfase, terá de fazer MAIS gols em MENOS tempo.

Dificílimo? Sim. Improbabilíssimo? Sim. Mas é o bônus da competência.

Em tempo: Para quem não se lembra, em um jogo de Copa do Mundo, o jogador que mais gols fez em uma partida foi o russo Oleg Salenko, na goleada de 6 a 1 sobre Camarões nos EUA-1994, na cidade de San Francisco. Foram cinco, e o intervalo entre o primeiro e o último foi de 60 minutos.