Um começo de amargar na Champions League

Por Luís Curro

A Champions League 2015-2016 teve um começo com sabor amargo para muita gente.

Não pelo futebol. Nesta terça (15), no dia de abertura da fase de grupos do campeonato mais importante da Europa, houve grandes jogos, como Manchester City 1 x 2 Juventus e PSV 2 x 1 Manchester United – duas vitórias de virada.

Houve grandes atuações coletivas, como as de Juventus, PSV, Real Madrid (que goleou por 4 a 0 o Shakhtar Donetski) e Sevilla (que fez 3 a 0 no Borussia Mönchengladbach).

Houve grandes performances individuais, como a do português Cristiano Ronaldo (três gols pelo Real Madrid) e a do francês Griezmann (autor dos dois gols do Atlético de Madri na vitória fora de casa sobre o Galatasaray).

E houve drama, como a séria contusão do lateral Luke Shaw, do Manchester United.

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Mas eu pergunto: você viu na TV tudo isso, ou parte disso? Eu não vi. Se você viu, foi minoria entre os fãs de futebol europeu.

A ESPN, que transmitiu as sei-lá-quantas últimas Ligas dos Campeões na TV paga, desta vez não conseguiu comprar os direitos. Que também não foram para as mãos nem do SporTV nem do Fox Sports.

Quem exibirá a Champions até a temporada 2017-2018 é o Esporte Interativo (EI), do grupo Turner. O canal tem o direito de mostrar os 145 confrontos da competição.

O problema é que desde sempre não há um acordo para que o EI exiba sua programação na NET e/ou na Sky, operadoras que possuem pouco mais de 80% dos clientes das TVs por assinatura, conforme reportagem do meu colega de Folha Guilherme Seto.

Assim, fica o gosto de frustração para os assinantes dessas operadoras, acostumados a acompanhar os principais clubes e jogadores do planeta e que agora estão órfãos.

Ontem, quem ligou nos canais ESPN às 15h45, pensando em ver a estreia do Real Madrid, ou da Juventus, ou do PSG, ou de um dos Manchester (United ou City), deparou-se com a reprise de Atlético de Madrid x Barcelona (Campeonato Espanhol),  ou com França x Letônia (Pré-Olímpico Europeu masculino de basquete), ou com a reprise de San Francisco x Minnesota (futebol americano).

Hoje, as opções são a reprise do “Bola da Vez” (com o santista Ricardo Oliveira), ou Itália x Lituânia (Pré-Olímpico Europeu masculino de basquete), ou resumos dos campeonatos inglês, espanhol e um jogo “inesquecível” da Copa do Mundo de rúgbi de 2011. Nada das estreias na Champions de Barcelona, Bayern, Arsenal ou Chelsea.

Neymar treina no CT do Barcelona (Alejandro García/EFE)
Neymar, que hoje enfrenta a Roma, treina no CT do Barcelona (Alejandro García/EFE)

O fato é que a ESPN perdeu a disputa com o EI. Não é culpada. Deu seu lance e foi superada. Faz parte de um jogo chamado “leva quem paga mais”. O jogo dos negócios.

Sobre NET e Sky não chegarem a um acordo com o EI, não cabe a mim julgar quem é o dono da razão em uma disputa reconhecidamente comercial. Cada lado tem seus interesses e lutará pelos mesmos.

Cabe a mim, neste caso, prestar serviço.

O EI oferece algumas opções para quem deseja acompanhar sua programação, Champions incluída: pela internet, assinando um plano mensal ou anual, pela TV aberta (sistema UHF ou antena parabólica) ou por outras operadoras de TV fechada.

O interessado obtém as informações aqui e aqui e pode tirar dúvidas aqui.

Não defendo canal X, Y ou Z. As poucas vezes que assisti ao EI, e isso já faz um tempo, não gostei do estilo da narração e dos comentários. Despojados e heterodoxos demais para o meu gosto.

Mas há quem aprecie, sem dúvida. Bastante gente. E gosto não se discute.

O ideal mesmo seria que o imbróglio comercial fosse resolvido e que NET e Sky passassem a ofertar o canal que oferta a Liga dos Campeões. Ou correm o risco de ver fãs de Messi, Cristiano Ronaldo e cia. migrarem para a concorrência.

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Em tempo: A TV aberta passará alguns jogos da Champions, minimizando a carência dos espectadores. Nesta quarta (16), por exemplo, haverá Roma x Barcelona na Band, às 15h45.