Os caras de Dunga – Um jogador é “o” vitorioso nos amistosos da seleção

Por Luís Curro

Nos últimos amistosos da seleção brasileira antes da estreia nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia-2018, ambos nos EUA, a equipe de Dunga superou a Costa Rica por um magro 1 a 0, no sábado (5), e os norte-americanos por goleada, 4 a 1, na terça-feira (8).

O treinador pretendia usar essas partidas para testar alguns jogadores, e o fez especialmente do meio-campo para a frente. Precisava ter ideia de como formar o ataque sem Neymar, suspenso das duas primeiras partidas no qualificatório que começa em outubro – o craque do Barcelona não enfrentará Chile nem Venezuela.

Deu para ter ideia. E deu para ter uma certeza. Hulk será titular contra o Chile. Se teve um jogador que pode se considerar “o” vitorioso nos amistosos, é ele.

O atacante do Zenit, que no clube russo joga mais pelas pontas (especialmente pela direita), atuou enfiado, de centroavante. Marcou um gol contra a Costa Rica. Marcou um gol contra os EUA.

Hulk comemora seu gol no amistoso contra os EUA (Leo Correa/Mowa Press)
Hulk comemora seu gol no amistoso contra os EUA (Leo Correa/Mowa Press)

Detalhe importante: os gols saíram logo no início das partidas, um aos 10 minutos, o outro aos 9 minutos. No futebol, abrir o marcador com até 15 minutos, todos sabem, dá toda a tranquilidade necessária para a  equipe render mais. Tira a pressão. E seleção brasileira é pressão pura, todo jogo, contra qualquer rival, sendo amistoso ou não.

Um gol em cada jogo, um gol com cada perna – a esquerda é a boa. E sem deixar o cronômetro botar pressão. E mesmo jogando fora de posição. E tendo disposição de sobra.

Não tem como Hulk não jogar no início das eliminatórias.

Os outros 10? Tomando como base quem Dunga tem chamado, é muito cedo para definir. Não para especular.

O goleiro, tanto faz: Marcelo Grohe ou Jefferson. Grohe atuou nos dois amistosos, mas quase não foi exigido. Levou um gol de muito longe no fim do jogo contra os EUA. Deveria ter defendido. Mesmo assim, o considero melhor que Jefferson. Alisson é o segundo reserva.

Na lateral direita, jogará Danilo ou Daniel Alves, que foi cortado desses amistosos por lesão – Fabinho não é nem está melhor que eles.

Dá para cravar Miranda e David Luiz na zaga e Luiz Gustavo como um dos volantes. O outro será Fernandinho ou Elias, e não vejo grande diferença entre eles, nem mesmo fisicamente. A altura é quase a mesma e até na idade são iguais – ambos nasceram em maio de 1985.

Marcelo, pelo que mostrou nesses dois jogos, dificilmente será desbancado por Filipe Luis, até então o titular de Dunga, na lateral esquerda.

O setor ofensivo ainda desperta dúvidas e desconfianças.

Por tudo o que tem feito no Bayern neste começo de temporada, esperava-se que Douglas Costa fosse um ponto de desequilíbrio nos jogos nos EUA. Teve momentos bons, mas não brilhou. Assim como não brilharam Willian, Lucas Lima, Philippe Coutinho e Firmino. Os que mais me agradaram ao sair do banco foram Rafinha Alcântara e Lucas.

Neymar fará muita falta. Não é preciso ser gênio, experto, nada, para concluir: estando minimamente em forma, ele é imprescindível. Desequilibra os adversários. Desequilibra para o Brasil. Quem viu o 2º tempo contra os EUA teve mais uma prova disso. Neymar está anos-luz à frente de todo o resto. Mas Dunga não pensa assim.

Eis a lista completa de Dunga (19 dos 24 atuam fora do Brasil) e o desempenho de cada atleta nos dois amistosos:

Goleiros

Marcelo Grohe (Grêmio) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. No 1º tempo, em lance que já estava parado por impedimento, esteve atento e fez a defesa. No 2º tempo, não tinha como defender o ótimo chute de Ruiz, em gol invalidado por impedimento mal marcado. EUA 1 x 4 Brasil. No 1º tempo, assistiu à partida. No 2º, foi exigido aos 38 minutos e agarrou chute à meia-força. O gol dos EUA era defensável – o chute, apesar de forte, saiu de muito longe. Regular

Jefferson (Botafogo) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Ficou na reserva. EUA 1 x 4 Brasil. Ficou na reserva. Sem avaliação

Alisson (Internacional) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Ficou na reserva. EUA 1 x 4 Brasil. Ficou na reserva. Sem avaliação

Defesa

Danilo (Real Madrid-ESP) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Muito pouco efetivo no apoio ao ataque, mas deu o lançamento que resultou no gol de Hulk. No 1º tempo, precisou da cobertura de Miranda em um par de lances. EUA 1 x 4 Brasil. Ficou na reserva. Regular

Miranda (Inter de Milão-ITA) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Capitão da seleção até a entrada de Neymar, mostrou o de sempre: boa colocação, calma e solidez. EUA 1 x 4 Brasil. Impediu, com uma antecipação, que Altidore concluísse na cara do gol. Saiu do jogo aos 22 minutos, com uma lesão no joelho. Bom

David Luiz (PSG-FRA) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Sem problemas de entrosamento com Miranda, controlou-se para evitar as costumeiras jogadas estabanadas. No começo do jogo, perdeu um gol feito. Foi quem deu condição para Ruiz no mal anulado gol costarriquenho. EUA 1 x 4 Brasil. Sem problemas ao lado de Miranda, sem problemas ao lado de Marquinhos. Tentou gol em cobrança de falta, mas bateu por cima. Deu ótimo lançamento para Neymar partir para a área e sofrer pênalti. No gol dos EUA, faltou cabeleira para conseguir desviar o chute de Williams. Bom

Marcelo (Real Madri-ESP) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Discreto no 1º tempo. No 2º, conseguiu ir uma vez à linha de fundo e quase marcou um gol em jogada individual. EUA 1 x 4 Brasil. Boa movimentação no 1º tempo, tanto pela lateral esquerda como em investidas pelo meio. Não teve preocupações na defesa. No 2º tempo, reduziu o ritmo ofensivo. Bom

Fabinho (Monaco-FRA) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Ficou na reserva. EUA 1 x 4 Brasil. Não comprometeu na marcação e quase não apoiou o ataque. Regular

Marquinhos (PSG-FRA) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Ficou na reserva. EUA 1 x 4 Brasil. Até achar um gol no final, o ataque norte-americano foi pífio. O zagueiro, que substituiu o lesionado Miranda, praticamente assistiu ao jogo. Regular

Gabriel Paulista (Arsenal-ING) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Ficou na reserva. EUA 1 x 4 Brasil. Ficou na reserva. Sem avaliação

Douglas Santos (Atlético-MG) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Ficou na reserva. EUA 1 x 4 Brasil. Ficou na reserva. Sem avaliação

Meio-campo

Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. No seu ritmo (lento) de sempre, jogou para o gasto. Sem brilho e sem comprometer. Teve certa dificuldade para marcar Ruiz, o capitão da Costa Rica, especialmente no 1º tempo. Com cãibras, deu lugar a Rafinha Alcântara aos 35 minutos do 2º tempo. EUA 1 x 4 Brasil. Formou dupla com Elias dessa vez e jogou da forma (lenta) de sempre. De novo, não brilhou. De novo, não comprometeu. Deu lugar a Fernandinho no 2º tempo. Regular

Fernandinho (Manchester City-ING) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Assim como Luiz Gustavo, enfrentou alguns problemas na marcação de Ruiz. Teve uma chance no 1º tempo – o goleiro defendeu o chute. Substituído por Elias aos 29 minutos do 2º tempo. EUA 1 x 4 Brasil. Entrou na vaga de Luiz Gustavo aos 20 minutos do 2º tempo, com o jogo ganho. No gol dos EUA, ou ele ou Elias deveriam ter evitado o chute – Williams estava livre na intermediária. Regular

Willian (Chelsea-ING) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Aberto pela direita, não contou com o apoio de Danilo nem de Fernandinho para tentar algumas tabelas ou triangulações. No 1º tempo, executou uma jogada de efeito (elástico). No 2º, perdeu boa chance depois de cruzamento de Douglas Costa. Foi substituído por Lucas aos 33 minutos da etapa final. EUA 1 x 4 Brasil. Nos 47 minutos em que esteve em campo, mostrou um futebol melhor do que o exibido contra a Costa Rica. Flutuou entre o meio e a direita do ataque e logo aos 9 minutos, em jogada individual, cruzou e a bola bateu na trave – Hulk ficou com a sobra e marcou 1 a 0. Regular

Lucas Lima (Santos) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Em sua estreia pela seleção, movimentou-se, buscou participar do jogo, acertou passes, cobrou escanteios. Mas sabe e pode fazer bem mais que isso. Alegou, e é verdade, que falta entrosamento. Saiu do jogo aos 22 minutos do 2º tempo – entrou Philippe Coutinho. EUA 1 x 4 Brasil. Em seu 2º jogo como titular da seleção, dessa vez com um pouco mais de entrosamento, fez exatamente o mesmo que no 1º. Deixou o amistoso aos 18 minutos do 2º tempo – entrou Lucas. Regular

Douglas Costa (Bayern de Munique-ALE) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Seu 1º tempo foi ruim. Não superou a marcação de Gamboa nem de Acosta, que cobriam o lado direito da defesa costarriquenha. Melhorou, e muito, no 2º tempo. Em uma boa jogada, acionou Willian, mas o companheiro perdeu. Também recebeu na área passe de Kaká e chutou para bela defesa do goleiro. E fez um gol, mal anulado pela arbitragem, que assinalou impedimento. Neymar o substituiu aos 34 minutos do 2º tempo. EUA 1 x 4 Brasil. Esteve agressivo no 1º tempo: suas disparadas pela ponta esquerda lembraram os bons momentos de Bayern – Cameron e Orozco não conseguiam acompanhá-lo. Mas faltou aquele algo mais. Rafinha Alcântara o substituiu aos 18 minutos do 2º tempo. Regular

Douglas Costa foi titular contra os norte-americanos e os costarriquenhos (Leo Correa/Mowa Press)
Douglas Costa foi titular contra os norte-americanos e os costarriquenhos (Leo Correa/Mowa Press)

Elias (Corinthians) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Entrou no lugar de Fernandinho no 2º tempo. Discreto nos seus quase 20 minutos em campo. EUA 1 x 4 Brasil. Começou como titular, substituindo Fernandinho, e acabou o jogo como titular. Cumpriu a função de marcar e distribuir o jogo. No gol dos EUA, ou ele ou Fernandinho deveriam estar perto de Williams para evitar o chute. Regular

Philippe Coutinho (Liverpool-ING) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Teve metade do 2º tempo para mostrar algum futebol. Não mostrou. EUA 1 x 4 Brasil. Ficou na reserva. Ruim

Rafinha Alcântara (Barcelona-ESP) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Quebrou um galho como volante devido às cãibras de Luiz Gustavo. Seu lugar não é atrás. EUA 1 x 4 Brasil. Entrou no 2º tempo no lugar de Douglas Costa e convenceu. Depois de receber de Lucas na área, deu lindo drible em Ream antes de chutar e vazar Guzan para fazer o terceiro gol da seleção. Teve outra chance após passe de Firmino. Bom

Kaká (Orlando City-EUA) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Substituiu Hulk aos 22 minutos do 2º tempo. Atuando quase como um centroavante, seu melhor momento foi um cruzamento para Douglas Costa finalizar. EUA 1 x 4 Brasil. Ficou na reserva. Regular

Ataque

Neymar (Barcelona-ESP) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Reserva até os 34 minutos do 2º tempo, entrou e não foi Neymar. EUA 1 x 4 Brasil. Substituiu Willian no intervalo e na primeira oportunidade que teve, aos 5 minutos, foi para cima de Cameron – o lateral americano cometeu pênalti. O camisa 10 bateu e conferiu, ampliando a vantagem brasileira. Também participou do terceiro gol, enganando a defesa em jogada de Lucas. E ainda fez o quarto gol, iludindo três rivais na grande área, mais o goleiro. Com ele, o time mudou – para muito, muito melhor. Ótimo

Hulk (Zenit-RUS) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Marcou o gol da vitória e foi o melhor do time. Nem tanto pelo que fez além do gol, no qual cometeu falta em González, mais pelo que os outros não fizeram. Cobrou uma falta e deu uma finalização que exigiram defesa do goleiro. EUA 1 x 4 Brasil. Abriu o caminho para o triunfo aos 9 minutos do 1º tempo, depois de pegar a sobra de uma bola na trave, cortar Yedlin e chutar forte de pé direito. Saiu do jogo, por cima, no intervalo. Ótimo

Lucas (PSG-FRA) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Substituiu Willian e tentou algo pela ponta direita em pouco menos de 15 minutos. Não conseguiu. EUA 1 x 4 Brasil. Entrou no lugar do xará do Santos aos 18 minutos do 2º tempo. Em seu primeiro lance, pegou a bola na defesa, pela esquerda, e disparou. Só parou depois de dar ótimo passe para Rafinha, que marcou o terceiro gol do Brasil. Também avançou pelo meio e deu o passe para Neymar se livrar da defesa e fazer o quarto gol. E ainda teve fôlego para uma ótima arrancada pela direita – parou só depois de sofrer falta dura na entrada da área. Bom

Roberto Firmino (Liverpool-ING) – Brasil 1 x 0 Costa Rica. Ficou na reserva. EUA x Brasil. Substituiu Hulk no intervalo. Teve uma chance em cabeçada, deu um bom passe para Rafinha desperdiçar, ele mesmo desperdiçou boa oportunidade perto do fim da partida. Esteve abaixo dos companheiros de ataque. Regular

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Em tempo: A Argentina, elogiada em um post devido à goleada por 7 a 0 na Bolívia, não repetiu a boa performance no amistoso contra o México. Exibiu, contudo, um impressionante poder de reação em curto espaço de tempo. Perdia por 2 a 0 até os 40 minutos do 2º tempo. Diminuiu com Agüero em jogada iniciada por Messi e empatou com… claro, ele, Messi, aos 44 minutos. E foi um golaço.