Hulk resolve para o longe de ser incrível Brasil

Por Luís Curro

O Brasil esteve bem longe de jogar um grande futebol no penúltimo amistoso antes de estrear nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia, contra o Chile, no dia 8 de outubro, em Santiago.

Aliás, se continuar a jogar o que jogou neste sábado (5), vitória magra por 1 a 0 contra a Costa Rica, em Nova Jersey, chegará ao duelo contra os chilenos, atuais campeões da Copa América, como azarão.

Dunga disse que utilizaria esses amistosos nos EUA, diante dos costarriquenhos e dos norte-americanos (rivais da próxima terça, dia 8), para testar alguns jogadores.

Dos que começaram como titulares e não estiveram na Copa América, afora o goleiro Marcelo Grohe, praticamente um espectador diante de uma Costa Rica quase inofensiva, somente Hulk merece menção honrosa.

O atacante do Zenit, da Rússia, jogando como centroavante (geralmente atua mais pelas pontas, especialmente pela direita), mostrou disposição durante todo o tempo em que esteve em campo: correu, lutou, trombou, reclamou e… fez o gol da seleção.

Ok, só conseguiu dominar a bola para chutar e marcar depois de uma carga faltosa no zagueiro, que nem juiz nem bandeirinha viram, mas no futebol tem disso, e Hulk aproveitou e fez o que tinha de fazer. Mérito dele.

Também deu outras duas finalizações certas, uma delas em cobrança de falta, defendidas pelo bom goleiro Pemberton, que substituiu Navas, hoje no Real Madrid, titular da Costa Rica na Copa de 2014.

O lateral Danilo quase não apoiou e precisou da cobertura de Miranda na defesa. O outro lateral, Marcelo, teve dois bons lances no 2º tempo, um cruzamento e uma finalização, mas, pelo que joga, foi pouco. O volante Luiz Gustavo apresentou o futebol mediano e burocrático de praxe.

Havia grande expectativa em relação ao meia Lucas Lima. O destaque santista esteve participativo, mas bem longe de brilhar. No intervalo do amistoso, disse que falta entrosamento com os companheiros.

O problema é que seleção não é clube. O time é reunido alguns dias antes de jogar, faz uns poucos treinos e vai à luta (será assim nas eliminatórias). Claro que, se Dunga chamar sempre a mesma base para todos os confrontos, os jogadores irão se conhecer melhor e o entrosamento, mesmo que devagar, virá.

Só que nas eliminatórias, que prometem ser dificílimas, esperar pelo entrosamento será luxo. E é preciso largar bem. Pelo menos empatar com o Chile fora e derrotar a Venezuela em casa, a fim de não haver preocupação logo de cara.

A seleção tem os melhores, e os melhores teoricamente têm capacidade para superar a falta de conjunto, adaptar-se mais rapidamente uns aos outros. E resolver na individualidade, se assim for preciso.

Falando em individualidade, nos seus quase 15 minutos em campo, Neymar não deu uma de Messi, seu colega de Barcelona, que em apenas dez minutos deixou duas vezes a bola nas redes bolivianas em amistoso da Argentina na sexta (4). Nem o Brasil repetiu a Argentina e ganhou de sete gols de diferença, como, aliás, não era mesmo esperado.

Contra a Costa Rica, a individualidade de Hulk resolveu. Não foi incrível, mas serviu, decerto, para assegurar a convocação dele para as eliminatórias.

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Em tempo: Alguns leitores foram bem duros nas críticas a este blogueiro devido ao post Brasil, imite a Argentina; Neymar, imite Messi. Faz parte da democracia. Ler e concordar, ler e discordar. Importante: eu não idealizo que o Brasil jogue como a Argentina nem que Neymar jogue como Messi. São duas escolas diferentes, são dois jogadores diferentes. O “imitar” referia-se a esse jogo do Brasil contra a Costa Rica, baseado no ocorrido no amistoso Argentina 7 x 0 Bolívia. Para mim, seria fantástico ver o Brasil golear por 7 a 0 e Neymar, como fez Messi, entrar e estraçalhar. Para você não seria? Bom, o fato é que não foi. O futebol da seleção brasileira, hoje, é para 1 a 0.