Brasil, imite a Argentina; Neymar, imite Messi

Por Luís Curro

A Argentina mostrou como se faz. Na noite desta sexta (4), goleou a Bolívia por 7 a 0 em amistoso em Houston, nos EUA.

Messi mostrou como se faz (como se precisasse…). Entrou aos 20 minutos do 2º tempo e, com dois minutos em campo, fez um gol de cabeça, que não é o seu forte. Foi o quinto dos argentinos. Oito minutos depois, recebeu lançamento e, em alta velocidade, driblou o goleiro e só não entrou com bola e tudo porque não quis.

A seleção comandada por Tata Martino não deixou os bolivianos verem a cor da bola. Mostrou um futebol envolvente, de toques rápidos, com uma defesa sólida e um ataque arrasador. Lavezzi fez dois gols, Agüero, outros dois, e o jovem Correa, atacante de 20 anos do Atlético de Madri, fechou a goleada.

Agora é a vez do Brasil, que neste sábado (5), às 17 horas de Brasília, faz amistoso contra a Costa Rica, também nos EUA, só que em Nova Jersey, mostrar como se faz. Vencer bem e jogando com consistência.

Ganhar de sete é exagero, não acredito que o mais otimista dos torcedores da seleção aposte nisso – lógico que se espera ganhar de sete um dia, especialmente se for da Alemanha. Mas fazer uns três ou quatro gols, sem tomar nenhum, já seria alentador.

Alentador e, é duro ter de escrever isso, surpreendente. Em outros tempos, atropelar a Costa Rica seria algo natural. Hoje, não. O Brasil piorou e a Costa Rica melhorou, tanto que foi uma das surpresas positivas da Copa de 2014, eliminando Itália e Inglaterra na primeira fase.

O Brasil vem de uma Copa América muito ruim, com eliminação nas quartas de final para o Paraguai. Muito ruim não só pelo resultado, mas pelo futebol aquém das expectativas apresentado.

Será que Dunga assistiu a Argentina x Bolívia? Se sim, poderia instruir os jogadores a imitarem os nossos vizinhos, pelo menos nos quesitos vontade de ganhar e disciplina tática. Sei que Dunga, por sua personalidade, já instrui o time nesse sentido, mas não custa mexer com os brios citando o maior rival: “Se eles podem, vocês não podem?”.

Brasileiro que é brasileiro não pode aceitar posição de inferioridade em relação à Argentina no futebol. É se render à humilhação.

Neymar, a estrela solitária do Brasil, deve começar no banco. Decisão acertada, já que está suspenso das partidas iniciais das eliminatórias, punido que foi por ter sido expulso (tolamente) contra a Colômbia na Copa América.

Se entrar no 2º tempo, e é provável que isso aconteça, e atuar uns 20 a 25 minutos, basta imitar Messi: dois gols. É o que se espera de um craque que muitos acreditam que pode fazer frente, já, a Messi e Cristiano Ronaldo na disputa para ser o melhor do mundo.

Em post anterior, eu convidei o leitor a escalar sua seleção e disse que apresentaria a minha, conforme o elenco que Dunga tem hoje à disposição.

Se eu fosse o técnico, escalaria o Brasil assim: Marcelo Grohe; Danilo, Miranda, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Elias e Lucas Lima; Lucas, Firmino e Douglas Costa.

É um 4-2-1-3, com Lucas de ponta direita, Douglas Costa de ponta esquerda e Firmino de centroavante.

Não é a posição de ofício de Firmino, mas ele me parece mais indicado para jogar ali do que Hulk, que rende mais recebendo a bola na direita e cortando para o meio, para chutar a gol.

Lucas Lima faria o “1”, seria o principal responsável por armar as jogadas.

A expectativa é que Dunga escale assim: Marcelo Grohe; Danilo, Miranda, David Luiz e Marcelo; Fernandinho, Luiz Gustavo, Lucas Lima e Willian; Hulk e Douglas Costa.

Uma 4-4-2, com Lucas Lima armando pela esquerda e Willian pela direita, e Hulk e Douglas Costa se movimentando na frente.

Não considero a melhor formação. Falta um no ataque, e Douglas Costa é mais um criador do que um finalizador.

Uma opção melhor é transformar o esquema em um 4-3-3, com Willian na ponta direita e Hulk de centroavante. Lucas Lima tentaria jogadas com Douglas Costa, e Fernandinho, com Willian. Pode funcionar.

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Em tempo: Acabou o sonho das Ilhas Cook nas eliminatórias da Oceania para a Copa da Rússia-2018. A derrota por 2 a 0 para a Samoa Americana eliminou a seleção cookense, que só precisava empatar. Quem se classificou com o resultado foi a Samoa (não a Americana, a outra), que superou Tonga por 3 a 0 e avançou para a segunda fase no saldo de gols.