Futebol de Camarões perde 3 atletas por morte súbita em 1 mês

Por Luís Curro

“Quem está matando os jogadores em Camarões?”

A pergunta é feita pelo jornalista Francis Ajumane em seu blog, após, no período de um mês, o país africano perder três jogadores por morte súbita.

O último caso veio à tona neste sábado (22). Em uma partida da segunda divisão de Camarões, Leopold Angong Oben, 26 anos, artilheiro da equipe  Dynamo de Douala, desabou em campo aos 33 minutos do primeiro tempo.

Antes de desfalecer no gramado, Leopold havia sofrido um pênalti e recebido atendimento médico. Continuou jogando.

O jornalista Aime Moukoko, que fazia a cobertura da partida no Reunification Stadium, em Douala, declarou que os companheiros de Leopold tentaram reanimá-lo, sem êxito.

De acordo com informações da Liga Camaronesa de Futebol, o atleta foi então atendido por uma equipe da Cruz Vermelha e levado a um hospital da cidade, onde foi declarado o óbito. A causa da morte não foi divulgada.

A tragédia é a segunda consecutiva no Dynamo em um curto intervalo. Três semanas atrás, o goleiro Ferdinand Mbog, 27 anos, morreu repentinamente, de uma doença não especificada, segundo Ajumane.

A terceira morte, do goleiro de 20 anos Olivier Dabid Njjock, ocorreu, ainda conforme o relato do jornalista, depois de um jogo da primeira divisão entre o Njalla Quam e o Apejes, no fim do mês passado. A equipe, escreve Ajumane, ainda não explicou a razão da morte súbita.

Em seu post, ele afirma que as recentes mortes “continuam a levantar questões sobre a qualidade da ciência esportiva em Camarões”. E questiona: “O que está matando esses jogadores? Quem está matando esses jogadores?”.

Não creio que exista um complô para matar atletas camaroneses. Acredito em coincidência, mas o fato de não haver esclarecimento das autoridades a respeito da causa das mortes gera alguma desconfiança. E uma pergunta que já foi feita retorna: “Têm os atletas negros, ou de ascendência negra, mais propensão a problemas de saúde do que os de outras raças?”.

Outra pergunta deve ser emendada: em países menos desenvolvidos, e os africanos estão nesse rol, os clubes fazem os devidos exames, antes de cada temporada, para descobrir se o jogador tem algum problema de saúde que o impeça de fazer uma atividade física que exige grande esforço, caso do futebol? (Grande esforço para a grande maioria, não incluo aqui os goleiros, estáticos na maior parte do jogo, nem os “chinelinhos”.)

O caso mais famoso de morte em campo de um jogador camaronês aconteceu em 2003, na Copa das Confederações, em Camarões x Colômbia, na França.

Marc-Vivien Foé, 28 anos, caiu no gramado do Stade de Gerland, em Lyon, para não mais se levantar. Teve infarto agudo do miocárdio. Defendia à época o inglês Manchester City.

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No Brasil, para quem não lembra, um caso ficou muito famoso: Serginho, zagueiro do São Caetano, desabou no Morumbi em jogo contra o São Paulo, pelo Brasileiro, em 2004.

Morreu aos 30 anos. Investigação descobriu que ele tinha uma grave doença cardíaca (miocardiopatia hipertrófica assimétrica) e não deveria estar jogando futebol.

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No futebol, mortes são raras, mas acontecem. O que não se pode aceitar é que a falta de identificação, pelos departamentos médicos de cada clube, de uma doença pré-existente – o coração é o órgão que mais inspira cuidados – que possa colocar em risco uma vida.

A todo-poderosa Fifa deveria investigar esses casos em Camarões. Mas alguém acredita que ela vai?