Campeonato Italiano – Prévia – Juve busca penta sem cérebro, pulmão e coração

Por Luís Curro

Nas últimas quatro temporadas, ninguém pôde no calcio com a Juventus. A equipe de Turim jogará em 2015-2016 pelo quinto título consecutivo, buscando repetir a sequência que obteve uma única vez, entre 1930 e 1935.

Só que para este campeonato a Velha Senhora perdeu três partes vitais de seu corpo: o cérebro (Pirlo), o pulmão (Vidal) e o coração (Tevez).

O italiano de 36 anos se transferiu para os EUA (New York City), o chileno de 28, para a Alemanha (Bayern), e o argentino de 31, para seu país (Boca Juniors).

O início da sequência de títulos da Juve começou justamente com as chegadas dos volantes Pirlo e Vidal, em 2011.

O primeiro é um dos melhores organizadores/criadores que já vi. Ele pensa – algo raro na correria insana do futebol. Faz lançamentos perfeitos, inversões de jogo precisas. Raramente erra um passe. E é mestre na bola parada.

O segundo é incansável. Marca como poucos (muitas vezes exagera na pegada), dificilmente perde a bola e chega ao ataque com frequência. Multiplica-se em campo. Tem bom passe e ainda finaliza bem.

Tevez chegou em 2013 e, com ele, a Juve conquistou seus títulos do Italiano com as maiores folgas no período: 17 pontos de vantagem, tanto em 2013-2014 como em 2014-2015. Marcou 19  e 20 gols, respectivamente, além de dar 7 assistências em cada campeonato. É goleador. É decisivo. E é pulsante – o jogo todo, todo jogo.

Não há substitutos à altura para nenhum dos três.

Favoritos

Sem Pirlo, Tevez e Vidal, Massimiliano Allegri deve mudar o esquema da Juventus e jogar com três zagueiros, tornando alas os  laterais Lichtsteiner e Evra (ou o recém-contratado Alex Sandro).

Para o lugar de Vidal, há o alemão Khedira, ex-Real Madrid (que, contudo, está contundido e só deve ir a campo daqui a uns dois meses). Para o de Tevez, o croata Mandzukic, ex-Atlético de Madri (que, em forma, sabe fazer gols como poucos). Para o de Pirlo… pode colocar qualquer um, não tem ninguém no elenco capaz de fazer o que ele fazia.

Mesmo assim, a Juve é a principal candidata ao scudetto. Tanto que, mesmo com a perda do trio, superou a Lazio por 2 a 0 e faturou a Supercopa da Itália.

A Roma, vice-campeã nas duas últimas temporadas, o Napoli e a Lazio podem se aproveitar do possível enfraquecimento da Juventus e surpreender. Precisam de uma boa largada para ganhar ânimo e moral.

Milan e Inter, a dupla de Milão, andaram mal das pernas ultimamente. E os reforços para esta temporada, na minha opinião, não são suficientemente impactantes para deixar o “ultimamente” para trás. A camisa vai ter que falar muito alto para algum deles ter chance.

Brasileiros para ver

São 39 no Italiano em 2015-2016.

Felipe Anderson, 22 anos, ex-Santos, disputou em 2013-2014 seu primeiro Italiano inteiro pela Lazio. Participou de 32 partidas, começando 23 como titular. Marcou 10 gols e deu 7 assistências. Bons números para um meia ofensivo – veste a camisa 10 no clube romano. Em junho, para dois amistosos da seleção, Dunga o convocou pela primeira vez. Só entrou em campo contra o México, no fim do 2º tempo, jogando menos de 10 minutos. É jovem e é talentoso. Olho nele.

Miranda, 30 anos, trocou o Atlético de Madri pela Inter de Milão. O zagueiro é sólido, é sóbrio, posiciona-se bem, é disciplinado. Na Copa América do Chile, além de ser titular, ganhou a faixa de capitão. Não comprometeu, mas sua capitania naufragou: o time fez uma competição para esquecer. Com Dunga, ele continua prestigiado, tanto que foi convocado para os amistosos de setembro. E agora, em um futebol que não preza pela ânsia de gols, Miranda deve manter o cartaz.

No último campeonato da Série A, o principal artilheiro do Milan foi um meia, o francês Ménez, com 16 gols (metade deles de pênalti). Tanto não funcionaram que os atacantes Pazzini e El Shaarawy saíram do clube. Um dos que chegaram é Luiz Adriano, 28 anos, egresso do Shakhtar Donetsk, onde atuou a partir de 2007 e teve ótimos momentos, o melhor deles em 2013-2014, quando marcou 20 gols no Ucraniano. Bem dito: no Ucraniano. Se engrenar na dureza que é o Italiano, deve voltar às listas de Dunga – foi chamado para amistosos no final de 2014 e no começo deste ano, mas passou em branco.

Quem é esse cara?

Já ouviu falar em Raphael Martinho? Não? Em Verona, em Catania e em Cesena já ouviram falar nesse meia de 27 anos nascido em Campo Grande (MS). Sua grande temporada na Itália foi em 2012-2013, na Série B (segunda divisão), quando marcou 10 gols pelo Verona e ajudou o time a ser promovido. Nas duas temporadas seguintes, teve menos oportunidades no próprio Verona e no Catania, não foi sempre titular. O rendimento caiu.

Agora Martinho está de camisa nova. Pelo recém-promovido Carpi, que disputará sua primeira temporada na Série A, Martinho terá, além da camisa, uma vida nova. Ganhará a posição de titular nos treinos e, já na segunda rodada, contra a Inter de Milão, no estádio Sandro Cabassi, em Carpi, lotado por pouco mais de 4.000 torcedores, marcará o gol da vitória.

Será o primeiro passo para a melhor temporada de sua carreira e o passaporte para um grande clube europeu e para a seleção de Dunga, que precisa de um canhoto do meio para a frente que decida jogos nas eliminatórias para a Copa, já que Ganso, tudo indica, não tem mais futebol para chegar lá. Vai, Martinho! Arrebenta! Quero ver você disputando posição com Douglas Costa na seleção.

Estrangeiros para ver

Não muita gente deve conhecer o futebol do canhoto Paulo Dybala, 21 anos, fora da Itália. Ele defendeu por três temporadas o Palermo. Ganhou espaço da equipe e, em 2014-2015, anotou 13 gols. O suficiente para a campeã Juventus contratá-lo por 32 milhões de euros. É jovem, ágil e hábil. Não é improvável que seja em breve convocado pela primeira vez para a seleção argentina e o vejamos em campo, mesmo que por alguns minutos apenas, nas eliminatórias para a Copa de 2018.

O que no Brasil está em falta parece sobrar para a Argentina: atacante bom de bola e goleador. Mais um: Mauro Icardi, 22 anos. Este é destro. E foi o coartilheiro do último Campeonato Italiano. Marcou pela Inter de Milão 22 gols, apenas 4 de pênalti. (O veteraníssimo italiano Luca Toni, 38 anos, também fez 22, pelo Verona.) É outro que pode ter oportunidade nas eliminatórias sul-americanas.

Italianos para ver

Eu pergunto: como Domenico Berardi, 21 anos, 15 gols pelo modesto Sassuolo no Italiano 2014-2015, permanece… no modesto Sassuolo? Ele estava emprestado pela Juventus ao modesto Sassuolo, e o modesto Sassuolo o contratou em definitivo por 10 milhões de euros. Será que nenhum dos grandes times do mundo reparou no seu futebol? (Já que a Juventus não deve estar precisando…) O canhoto Berardi finaliza muito bem e deve voltar a dar alegrias aos fãs do modesto Sassuolo.

Francesco Totti é, como Pirlo, um dos ícones do futebol italiano. Talvez mais, por ter, em toda sua carreira profissional, defendido um único clube, a Roma. Joga na equipe adulta desde 1992 e, com 38 anos, cumprirá seu derradeiro ano de contrato. Se quiser, após se aposentar, ser presidente do clube, será. Teve temporada em que anotou 26 gols na Série A (2006-2007). Na última, com bem menos minutos em campo, foram 8. Conquistou um scudetto, em 2000-2001, e foi titular da Azzurra campeã mundial em 2006, na Alemanha.

Maiores campeões: Juventus (31), Inter de Milão e Milan (18 cada um), Genoa (9).

Na TV: Fox Sports e ESPN.

Em tempo: O Italiano começa neste sábado (22), com Verona x Roma, às 13h, e Lazio x Bologna, às 15h. A campeã Juventus estreia amanhã, em casa, contra a Udinese, às 13h.

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