Campeonato Inglês – Prévia – Chegou a hora de dar Arsenal

Por Luís Curro

O Campeonato Inglês, conhecido mundialmente como Premier League, dá neste sábado (8) a largada para a temporada 2015-2016. O jogo de abertura é Manchester United x Tottenham, às 8h45 (horário de Brasília). O Chelsea, atual campeão, também vai a campo, às 13h30, contra o Swansea.

Sem embromação, vou ao ponto: este é o ano de o Arsenal, a equipe que joga o mais bem jogado futebol na terra da Rainha, voltar a ser campeão da Premier. A última vez foi em 2003-2004.

Desta vez, o time comandado pelo francês Arsène Wenger vai manter a regularidade durante toda a competição, não vai pipocar nos momentos cruciais nem nos não cruciais.

A peça que faltava aos Gunners chegou: o goleirão tcheco Petr Cech, que perdera espaço no Chelsea após a contratação de Courtois. Ele dará a segurança e a tranquilidade que a defesa precisa.

Os zagueiros Mertesacker e Koscielny serão paredões (Mertesacker, 1,98 m, sempre foi, pelo porte), os laterais Bellerín (ou Debuchy) e Monreal (ou Gibbs) apoiarão e marcarão com a mesma eficiência.

Coquelin será o volante cão de guarda de sempre e se desdobrará para permitir que a constelação ao seu redor, repleta de criatividade e de excelente toque de bola, exerça sua função.

Do meio pra frente, tem o baixinho Cazorla, que corre pra lá, corre pra cá, chuta com os dois pés, bate falta, pênalti, escanteio; tem Ramsey, outro que corre o campo todo e, quando chega à área, conclui com eficiência; tem Özil, que vai nesta temporada resgatar seu lado craque, com toque de bola refinado, assistências e gols.

Mais perto do gol, tem Walcott e Ox-Chamberlain, ingleses rápidos, dribladores, insinuantes, capazes de desequilibrar qualquer jogo. E a dupla Alexis Sánchez-Olivier Giroud, que junta balançou 30 vezes as redes na Premier 2014-2015.

O hábil chileno Alexis é um dos melhores do mundo, tanto que fez sucesso no Barcelona de Messi entre 2011 e 2014. O francês Giroud é presença de área: não importa se de cabeça, de carrinho ou de canela, põe a bola pra dentro. E vai quebrar a barreira dos 20 gols nesta temporada no campeonato, relembrando os tempos de Montpellier.

O Arsenal já começou a temporada vitorioso, derrotando o Chelsea, atual campeão da Premier, por 1 a 0 (gol de Ox-Chamberlain), na Supercopa da Inglaterra, para descontentamento do técnico dos Blues. Faturou também a Emirates Cup. Na pré-temporada foram cinco jogos e cinco vitórias, 15 gols marcados e só 1 sofrido.

Na Premier, a primeira vítima será o West Ham, neste domingo (9), às 9h30. A ESPN transmite ao vivo.

Só há um porém: o Arsenal é “campeão mundial” de contusões. Acompanho a Premier há vários anos e é inacreditável a quantidade de jogadores do time que se machucam e ficam meses entregues ao departamento médico. Há poucos dias, o talentoso meia Jack Wilshere foi parar lá, cortesia do beque brasileiro Gabriel Paulista, que o acertou em um treino. Mas os Gunners irão superar até isso desta vez.

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Favoritos

Fora o Arsenal, em quem aposto, há claramente mais um: o Chelsea. É o atual campeão, tem um treinador competente e carismático, José Mourinho (amado por uns, odiado por outros, inclusive pelo técnico do Arsenal), conta com um elenco de primeiríssimo nível: Courtois no gol; Ivanovic e Terry na defesa (veteranos, mas ainda em forma), Matic, Willian e Fàbregas no meio; Oscar, Cuadrado e Hazard do meio para a frente; e os artilheiros Diego Costa e Falcao Garcia. É quase imbatível em seu estádio, o Stamford Bridge.

E o Manchester City? Campeão em 2011-2012 e em 2013-2014, andou, na última temporada, muito dependente dos gols do argentino Kun Agüero, que todo ano sofre alguma lesão muscular e desfalca o time em vários jogos. Se o atacante Sterling, contratação milionária, jogar muita, mas muita bola, e os meias David Silva, Nasri e Yaya Touré reeditarem seus melhores momentos na criação e conclusão de jogadas, talvez consiga concorrer ao título.

E o Manchester United? O maior vencedor do Inglês (20 taças), desde a aposentadoria do lendário treinador Alex Ferguson, em maio de 2013, não se encontrou, mesmo com um elenco recheado de jogadores famosos (alguns deles saíram do clube recentemente, casos de Falcao García e Di María). Até gostaria de olhar os Diabos Vermelhos com mais otimismo, mas está difícil.

E o Liverpool? O segundo maior vencedor do Inglês (18 taças) não ganha a competição desde 1990. Chegou muito perto em 2013-2014, mas naufragou. O meia e capitão Gerrard, lenda do time, foi jogar nos EUA. O clube contratou o meia-atacante Milner e os atacantes Benteke, Ings, Firmino, Origi. Já tinha no elenco, para o ataque, Balotelli, Sturridge, Markovic, Borini. É gente demais, não dá pra escalar quatro ou cinco atacantes por jogo. Alguns devem sair, ninguém gosta de esquentar o banco, muito menos quem joga na frente. Chegar à Champions League estará bom para os Reds.

E os outros? Como cantava (e talvez ainda cante) Paula Toller, do Kid Abelha, “os outros são os outros e só”.

Brasileiros para ver

São 13 na Premier League 2015-2016 e quase todos estão nos clubes de ponta. Há quatro no Chelsea, três no Liverpool, dois no Manchester City, dois no Arsenal, um no Manchester United. E um no pequeno Bournemouth, promovido da segunda divisão. Não incluo na lista Diego Costa, nascido no Brasil, mas hoje espanhol.

Quem interessa mesmo ver são os selecionáveis meias Oscar e Willian, do Chelsea, e Philippe Coutinho, do Liverpool, que estão respectivamente com 23, 26 e 23 anos. (Achava que Willian fosse mais jovem, mas já está mais para os 30 do que para os 20; aliás, faz 27 anos amanhã, dia 9 de agosto.)

É o ano de Oscar e Willian se firmarem como titulares absolutos na equipe de Mourinho e jogarem muita bola, senão é melhor Dunga ir atrás de outros nomes para vestir a camisa amarela.

Talento eles têm, estão em uma equipe na qual não faltam ótimos jogadores ao redor, então não parece ser difícil jogar bem todo jogo, fazendo gols e dando assistências. Parece, sim, faltar fome de gols para os dois. Oscar precisa ser mais decisivo, e Willian, idem, deixando de ser um “pontinha”.

Oscar e Willian sabem jogar, mas precisam ser mais agressivos, no bom sentido. Não dá para aceitarem ver o Hazard ser o melhor do Chelsea todo jogo.

Em relação a Coutinho, estou bem mais otimista. Ele deve começar a temporada como titular no Liverpool e acredito que será um dos protagonistas do time. Vejo-o em melhor momento que a dupla dos Blues.

Há ainda, no Manchester United, Andreas Pereira, meia de 19 anos que nasceu na Bélgica mas tem nacionalidade brasileira. Depois de se formar no PSV (Holanda), transferiu-se em 2012 para o gigante inglês e nesta temporada deve ter oportunidades de jogar na equipe principal. Foi um dos destaques do Brasil vice-campeão mundial sub-20 neste ano.

Quem é esse cara?

E o que está fazendo no Arsenal? O atacante Wellington Silva, 22 anos, é jovem. Ok. E só. Cria do Fluminense, de onde saiu em 2010, contratado pelos Gunners, ele perambulou, sempre por empréstimo, pelo futebol espanhol. Passou por Levante, Alcoyano, Ponferradina e Murcia sem brilho algum, com gols raríssimos, até chegar ao Almería, onde, na temporada 2014-2015, em 35 jogos e mais de 2.200 minutos em campo, marcou exatamente… 0 (zero) gol.

Com esse histórico, não sei nem como incentivar. Não atuou em nenhuma partida da pré-temporada e não o vejo com a mínima chance de disputar posição com Girouds, Walcotts e Chamberlains da vida. Deve ser emprestado de novo, se houver algum interessado.

Inglês para ver

Harry Kane, 22 anos, 1,88 m, apelidado de Hurricane (Furacão), terá de mostrar que não foi um furacão de um campeonato só. Kane marcou 21 gols pelo Tottenham na última Premier – ficou atrás apenas de Agüero (26 gols). É um atacante que joga com intensidade rara. Longe de ser hábil, compensa com muita força física, determinação e, por que não dizer, paixão. Torcedor do Tottenham, se mata em campo pelo time, dá gosto vê-lo lutar sem parar e sua imensa alegria ao marcar gols pelo time do coração.

Estrangeiros para ver

Um montão. Citarei alguns. Todos de alto ou altíssimo nível.

Goleiros – Courtois (Bélgica/Chelsea), De Gea (Espanha/Man United), Lloris (França/Tottenham), Adrián (Espanha/West Ham), Pantilimon (Romênia/Sunderland), Schmeichel (Dinamarca/Leicester).

Defensores – Ivanovic (Sérvia/Chelsea), Vertonghen (Bélgica/Tottenham), Rojo (Argentina/Man United), Van Aanholt (Holanda/Sunderland).

Meio-campistas – Özil (Alemanha/Arsenal), Hazard (Bélgica/Chelsea), Fàbregas (Espanha/Chelsea), David Silva (Espanha/Man City), Ramsey (País de Gales/Arsenal), Wijnaldum (Holanda/Newcastle), Eriksen (Dinamarca/Tottenham), Sigurdsson (Islândia/Swansea).

Atacantes – Alexis Sánchez (Chile/Arsenal), Agüero (Argentina/Man City), Diego Costa (Espanha/Chelsea), Lukaku (Bélgica/Everton), Pellè (Itália/Southampton), Benteke (Bélgica/Liverpool), Giroud (França/Arsenal), Depay (Holanda/Man United).

Maiores campeões: Manchester United (20 títulos), Liverpool (18), Arsenal (13). O Chelsea tem 5 títulos, e o Manchester City, 4.

Na TV: ESPN e Fox Sports.