A perigosa sinceridade de Tata

Por Luís Curro

A sinceridade é sempre nobre, para mim é uma senhora qualidade, mas há momentos em que ela pode ser perigosa.

O treinador da seleção da Argentina, Gerardo Tata Martino, afirmou em entrevista a um canal de TV que, se ele fosse Messi, já teria deixado de defender seu país, devido às constantes críticas que recebe da imprensa e de torcedores por não render na Albiceleste como no Barcelona.

Tata deve ter cuidado com as palavras. E se Messi o escuta e decide concordar com ele?

As eliminatórias sul-americanas para a Copa da Rússia-2018 prometem ser disputadíssimas. A recente Copa América, no Chile, mostra que atualmente há um grande equilíbrio entre as seleções. Brasil e Uruguai foram mal, caíram nas quartas de final. Peru e Paraguai surpreenderam e chegaram às semifinais.

Pela primeira vez na história, o Chile foi o campeão do torneio, batendo os argentinos na final, resultado que voltou a suscitar críticas a Messi.

Eu considero temeroso para a Argentina atuar sem Messi. Tevez e Agüero são ótimos, porém o primeiro já passou dos 30 e o segundo convive com contusões. Higuaín faz seus gols, mas é pouco, falta-lhe mobilidade. Lavezzi corre muito, é esforçado, e nada muito além disso.

Nesse cenário, Tata não pode dar margem para um supercraque como Messi pensar em abdicar de jogar pela Argentina. Há quem diga que, pelo que fez em campo até hoje, Messi já é melhor que o ídolo Diego Maradona, que deu sua opinião sobre o papel do compatriota na seleção.

Na Copa de 2014, no Brasil, Messi carregou a seleção dirigida por Alejandro Sabella nas costas. Fez gols, foi decisivo, jogou bem (faltou fazer tudo isso na final contra a Alemanha, é verdade). Desde 2008, só ele e Cristiano Ronaldo conquistaram o prêmio de melhor do mundo, e o argentino ganhou uma vez mais que o português (4 a 3).

Tata disse que não deixará Messi de fora das próximas convocações. Tomara que La Pulga não peça dispensa. Não há indicações de que fará isso, mas poderia. Apenas para ver os atuais críticos, depois de não muito tempo, implorarem por sua volta.

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