Blatter, o maior presidente da Fifa

Por Rafael Reis

Blatter

Joseph Blatter, 79, deixará a presidência da Fifa, no dia 26 de fevereiro do próximo ano, como homem que conseguiu moralizar o futebol mundial e limpar a entidade das falcatruas que tanto a ameaçavam.

Por mais esdrúxulo que isso possa parecer, o suíço ainda parece acreditar que pode entrar para a posterioridade dessa forma.

Desde que abdicou do seu quinto mandato na Fifa e convocou eleições extraordinárias para sua sucessão, no começo de junho, o presidente entrou em um processo drástico de limpeza de imagem.

Ainda que esteja evitando viagens internacionais para não correr o risco de ser preso pela Justiça dos EUA, Blatter tem adotado um discurso de mártir, na linha de “eis o homem que será crucificado para a remissão dos pecados do futebol”.

O adeus ao órgão, pelo menos de acordo com suas palavras, não é uma confissão de culpa por possíveis atos de corrupção ou uma tentativa de enfraquecer as investigações sobre ele,  mas sim uma resposta à pressão pública que vinha desestabilizando a Fifa e provocando, entre outros efeitos, a fuga dos patrocinadores.

A agenda de reformas estatutárias que o suíço tem defendido seria progressista até mesmo para seus opositores e vai contra tudo que ele pregou durante suas quatro décadas de trabalho na entidade.

“Os tópicos de reforma propostos incluem um controle de integridade [ficha limpa] para membros do comitê executivo, limitação de mandatos, padrões mais rígidos de fiscalização dos governos em todos os níveis, incluindo confederações e associações nacionais, assim como a divulgação dos salários”, diz comunicado distribuído pela Fifa nesta segunda-feira (20).

Se aprovadas pelo congresso da entidade, essas medidas praticamente acabariam com as chances do aparecimento de um novo Blatter e tornaria uma tarefa muito mais complicada a solidificação de esquemas de corrupção em massa, como o atual.

A sete meses de deixar o cargo que ocupa desde 1998, o suíço mantém o orgulho de pé e tem uma última ambição. Não pretende apenas ser inocentado pelo mundo do futebol. Quer ser reconhecido como o maior presidente da história da Fifa.

Coitado.