Gerrard, Xavi, Casillas…. jogadores de um só clube estão fora de moda

Por Rafael Reis

casillas

Depois de 17 anos como profissional do Liverpool, Steven Gerrard, assinou com o Los Angeles Galaxy. Xavi, 17 anos de Barcelona, acertou sua ida para o Al-Saad, do Qatar. E Iker Casillas, goleiro do Real Madrid há 16 anos, irá jogar no Porto.

A atual janela de transferências no futebol europeu praticamente sepultou a figura do jogador de um clube só.

Aquele atleta que dedicou sua vida profissional inteira ao mesmo time e que já era uma peça praticamente extinta dentro do Brasil agora está desaparecendo também dos grandes da Europa.

Nem sempre foi assim. Aliás, até bem pouco tempo atrás, não era assim.

O zagueiro italiano Paolo Maldini aposentou-se no Milan em 2009 depois de 24 anos dedicado ao clube. O galês Ryan Giggs parou em 2014, também 24 anos após ser promovido aos profissionais do Manchester United. Também no ano passado, o Barcelona e o futebol se despediram de Puyol, que ficou na equipe principal por 15 anos.

Mas o que mudou nas últimas temporadas para que esses jogadores 100% identificados com um clube optem por “manchar” seus currículos com uma outra experiência profissional antes da aposentadoria?

Não existe uma resposta definitiva e precisa além da já tão batida “o futebol hoje é um grande negócio” (que vale para tudo quando falamos do esporte no mundo contemporâneo). Mas a maior parte das possíveis respostas para essa questão passa pela vaidade dos jogadores.

A ascensão e a consolidação de mercados periféricos ricos, como o tão aclamado Mundo Árabe e os Estados Unidos, deram a jogadores veteranos a possibilidade de manterem salários milionários mesmo jogando em ligas inferiores.

Ao ir para o Qatar, Xavi, 35, garantiu por mais três temporadas o salário de 10 milhões de euros anuais que recebia no Barcelona, com a vantagem de que os impostos no Oriente Médio são bem menores do que na Espanha.

Já Gerrard irá faturar US$ 9 milhões pelos 18 meses de contrato com o Galaxy. Na Inglaterra, ele ganhava aproximadamente o dobro disso.

A ida para países onde o futebol é menos desenvolvido fará com que ambos driblem as limitações da idade e continuem com a impressão de que vivem seus tempos áureos. Xavi havia virado reserva no Barcelona e Gerrard, apesar de ídolo do Liverpool, já perdera o protagonismo no clube.

Em seus novos clubes, eles voltarão a se senti no topo, serão reis uma vez mais e não estarão mais expostos a calendários tão desgastantes e olhares dos críticos mais vorazes.

O caso de Casillas tem suas especificidades, já que não se trata da ida para um mercado periférico. Mas sua transferência para o Porto também está ligada ao desejo de continuar se sentindo competitivo.

O goleiro sabe que não é mais páreo para De Gea, do Manchester United, favorito do Real para ocupar a meta nesta temporada, e tem sofrido com vaias e críticas de torcedores e da imprensa de Madri.

Sua ida para Portugal é uma tentativa de prorrogar a carreira como titular. No lugar de se contentar com o banco e os jogos de Copa do Rei, cena que já viveu quando José Mourinho comandava o time, preferiu jogar por outro clube.

Se ele está certo ou errado, não cabe a mim avaliar. Mas o certo é que os jogadores de um clube só são uma espécie em extinção. Não só aqui no Brasil, onde Rogério Ceni ainda carrega esta bandeira quase que sozinho, como também na Europa.

Os jogadores de um clube só nos grandes europeus (há mais de uma década)*

Francesco Totti (ITA/Roma) – desde 1993*
Daniele de Rossi (ITA/Roma) – desde 2001
Andrés Iniesta (ESP/Barcelona) – desde 2002
Bastian Schweinsteiger (ALE/Bayern) – desde 2002
Lionel Messi (ARG/Barcelona) – desde 2004

*período nos profissionais