Com quase R$ 900 mi em reforços, futebol italiano vive Renascimento

Por Rafael Reis

Miranda

A notícia até parece saída dos anos 80 e 90, quando o Calcio era a competição interclubes mais importante do planeta e a casa das grandes estrelas do futebol do mundo.

Mas não é que em pleno 2015 o Italiano voltou a ser o campeonato nacional que mais investe em contratações?

É claro que a janela europeia de transferências ainda está no começo e que tudo isso pode mudar ao longo dos dois próximos meses. Mas é fato que o dinheiro voltou a circular pelo até pouco tempo atrás decadente futebol italiano.

Até o momento, foram torrados 248 milhões de euros (R$ 860 milhões) em reforços. Isso já significa quase 60% do valor gasto na temporada passada inteira. Lembrando: a janela está no começo, e a fase mais aguda das transações nem começou.

Como comparação, quem mais se aproxima do investimento italiano em 2015/16 é o Campeonato Espanhol (227 milhões de euros). O Inglês, que quase sempre aparece no topo do ranking de gastos em novos jogadores, comprou 220 milhões.

Essa onda de investimentos levará ao Calcio jogadores valorizados no mercado internacional e que poderiam muito bem ter escolhidos clubes do primeiro escalão de outros países, como o zagueiro brasileiro Miranda e o volante francês Kondogbia, contratados pela Inter de Milão; o volante alemão Khedira e o atacante croata Mandzukic, reforços da Juventus.

Também ajuda a manter no campeonato local jovens talentos que poderiam fortalecer outras ligas.

O atacante argentino Paulo Dybala, 21, autor de 13 gols no Italiano pelo modesto Palermo, já acertou uma transferência futura para a Juventus. O espanhol Iago Falqué, 25, de grande campeonato pelo Genoa, foi para a Roma.

Mas por que, de uma hora para a outra, a Itália voltou a ter dinheiro para rivalizar com as outras principais ligas da Europa?

A classificação da Juventus para a final da última Liga dos Campeões mostra que esse movimento não foi tão repentino assim. Clube com maior poderio financeiro da Bota, a Vecchia Signora conta com o suporte financeiro de uma gigante automobilística (Fiat) e colhe os frutos de uma aposta ousada para o quase estagnado mercado local: a construção de um estádio próprio, o Juventus Stadium, inaugurado em 2011.

A novidade desta temporada é que Inter de Milão e Milan, os clubes que tradicionalmente rivalizam com a Juve, decidiram sair da pasmaceira em que ficaram nas últimas temporadas e que inclusive as afastaram da Liga dos Campeões.

A Inter começou a gastar a fortuna do indonésio Erick Thorir, que adquiriu o controle acionário do clube em 2013, e chegou a fazer uma proposta pelo marfinense Yaya Touré, do Manchester City, um dos melhores volantes do mundo.

O Milan adotou expediente semelhante. Silvio Berlusconi, que não estava mais disposto a investir sua fortuna pessoal no clube, vendeu 48% das ações para o tailandês Bee Taechaubol e o Grupo Doyen.

A injeção de verba permitiu ao clube sonhar com os retornos de Thiago Silva e Ibrahimovic, ídolos do passado recente do clube. A realidade ainda não foi tão generosa assim: o meia Bertolacci chegou e o atacante colombiano Bacca está prestes a assinar. Mas, acreditem, isso já é muito perto do caminho que o time estava tomando.

Confira as contratações mais caras da Itália nesta temporada:

1º – Paulo Dybala (ARG), do Palermo para a Juventus – 32 milhões de euros
2º – Geoffrey Kondogbia (FRA), do Monaco para a Inter – 30 milhões
3º – Andrea Bertolacci (ITA), do Genoa para o Milan – 20 milhões
4º – Mario Mandzukic (CRO), do Atl. Madri para a Juventus – 19 milhões
5º – Xherdan Shaqiri (SUI), do Bayern para a Inter – 18 milhões
6º – Miranda (BRA), do Atl. Madri para a Inter – 15 milhões