Em 20 anos, sul-americanos ganham em média 19 posições no ranking Fifa

Por Rafael Reis

Vidal

O Brasil vai se classificar para a Copa-2018? É mais preciso uma bola de cristal do que conhecimento futebolístico para responder essa pergunta hoje. Mas a ideia de que as próximas eliminatórias serão as mais difíceis da história, tão divulgada por aí nos últimos meses, não é um mero exagero.

E a culpa está longe de ser apenas da seleção. Faltam craques, falta planejamento de longo prazo, falta atualização tática, falta muita coisa… Mas também há rivais cada vez mais fortes.

Uma simples analisada na evolução do ranking da Fifa atesta o crescimento dos adversários brasileiros por vagas no Mundial.

Desde 1995, a posição média dos sul-americanos na lista de classificação das seleções não para de subir.

Vinte anos atrás, em junho de 1995, os nove integrantes da Conmebol (com exceção do Brasil) ocupavam em média a 60,6ª posição no ranking da Fifa. No mesmo mês de 1999, a 49,6ª. Em 2003, a 47,3ª. E em 2007 e 2011, a 46,7ª.

Agora, eles já aparecem em 41º lugar. Ou seja, as seleções americanas ganharam em média 19 posições no ranking da Fifa só na última década.

No mesmo período, o Brasil teve uma leve flutuação, mas se manteve no top 10. Caiu da liderança que ocupava em 1995 para o atual quinto lugar.

Hoje, a seleção está atrás de duas das suas adversárias sul-americanas: a Argentina é a terceira colocada e a Colômbia, a quarta. O Uruguai aparece em oitavo.

Em 1995, era preciso chegar ao top 36 do ranking para encontrar o mesmo número de times do continente.

A evolução que coloca o Chile como favorito a conquistar a Copa América, fez a Venezuela deixar de ser um grande saco de pancadas e transformou o Peru em uma seleção respeitável tem várias explicações.

A principal razão provavelmente seja o intercâmbio a que essas seleções foram submetidas ao longo das duas últimas décadas.

Se brasileiros e argentinos já estavam em massa nos grandes clubes da Europa na primeira metade dos anos 1990, o mesmo não se pode dizer dos representantes dos outros países.

Foi preciso a derrubadas das restrições a estrangeiros para as principais ligas nacionais do Velho Continente darem espaço para um grupo considerável de jogadores chilenos, colombianos, uruguaios, paraguaios, equatorianos…

Some-se a isso o investimento em treinadores experientes e taticamente modernos, alinhados com as ideias mais contemporâneas do futebol mundial.

Os quatro técnicos semifinalistas da Copa América são argentinos. Mas mais que isso: todos eles já foram campeões nacionais e treinaram equipes fora de suas fronteiras antes do trabalho atual _vale lembrar que Tata Martino, comandante da Argentina, dirigiu o Barcelona na temporada passada e que Jorge Sampaoli, do Chile, é possivelmente o técnico mais admirado do planeta fora da órbita europeia.

Ranking da Fifa
(colocação em junho de 1995/colocação em junho de 2015)

Brasil: 1º/5º (-4 posições)
Argentina: 10ª/3ª (+7)
Colômbia: 23ª/4ª (+19)
Uruguai: 36º/8º (+28)
Chile: 42º/19º (+23)
Bolívia: 62ª/89ª (-27)
Peru: 73º/61º (+12)
Equador: 76º/31º (+45)
Paraguai: 100º/85º (+15)
Venezuela: 124ª/72ª (+52)