Messi, Cristiano Ronaldo e Ibra na Olimpíada do Rio? Vai sonhando…

Por Rafael Reis

CR

Argentina, Portugal e Suécia estarão no torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos-2016. Mas isso nem de longe significa que Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Zlatan Ibrahimovic brigarão pela medalha de ouro nos campos brasileiros.

É claro que um ou outro deles até pode aparecer por aqui no próximo ano. Mas os três juntos? Difícil, para não dizer impossível.

Uma série de fatores, que passa pelo calendário internacional e a dificuldade de negociação com os grandes clubes, costuma afastar as estrelas de primeiro escalão do futebol olímpico.

Para começar, é preciso entender que a obsessão brasileira pela inédita medalha de ouro não se repete no resto do mundo.

Se por aqui a Olimpíada é tratada praticamente como uma Copa do Mundo, capaz de derrubar técnicos e enterrar carreiras na seleção, na Europa, ela é vista quase que como um torneio de categoria de base.

Não à toa, as seleções europeias muitas vezes entregam as três vagas para jogadores acima de 23 anos a atletas que participaram do Pré-Olímpico no ano anterior e estouraram a idade para disputar os Jogos.

Foi o que aconteceu com a Espanha em 2012. Os reforços para o time sub-23 não foram Xavi, Iniesta e Piqué, mas sim Javi Martínez, Mata e Adrián López, um ano mais velhos que o limite para disputar a Olimpíada e que haviam ajudado o país a se classificar para o torneio.

É obvio que Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic poderiam simplesmente pedir para disputar os Jogos. E pedidos deles são uma ordem para Portugal e Suécia.

Mas aí entra o desgaste físico.

O futebol da Olimpíada do Rio começa no dia 3 de agosto, menos de um mês depois da final da Eurocopa, marcada para 10 de julho. E os dois torneios coincidem com os períodos de férias e pré-temporada dos jogadores em seus clubes.

Como tudo indica que suecos e portugueses conquistarão a classificação para a Euro-2016, as estrelas devem participar da competição continental. Jogar também a Olimpíada seria um elevado esforço físico, sobretudo para jogadores trintões como são, que poderia prejudicá-los durante todo o restante da temporada.

E aí entram os clubes. Real Madrid e PSG não pagam milhões a seus principais astros para os terem em condições precárias e certamente não estão muito dispostos a correr esse risco.

A Fifa obriga que os clubes liberem para a Olimpíada apenas os jogadores sub-23. A cessão dos reforços acima da idade limite depende da boa vontade dos empregadores.

E é aí que a coisa se complica para Messi.

O astro argentino também tem um torneio a disputar nas férias de 2016, a Copa América Centenário. Mas por se tratar de um campeonato comemorativo, ele até poderia optar por tentar seu segundo ouro olímpico (ganhou em 2008) a jogar a competição continental.

Mas há um grande problema chamado Barcelona no meio do caminho. A CBF quer de toda forma a liberação de Neymar para a Olimpíada. E tem a seu lado toda a pressão de ser o país-sede.

É possível imaginar o clube catalão abrindo mão dos seus dois principais astros no início da temporada 2016/17? De um, pode até ser. De dois, de jeito nenhum.

Isso não significa, porém, que a Olimpíada do Rio não terá estrelas dentro de campo.

Neymar, graças ao lobby brasileiro, deve aparecer por aqui. A Alemanha também cogita chamar para a seleção olímpica atletas que já se aposentaram da equipe principal, casos do lateral direito Philipp Lahm e do zagueiro Per Mertesacker, ambos campeões mundiais em 2014. E há ainda a chance de uma estrela africana ser convocada.

Mas uma Olimpíada com Messi, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic juntos? Desculpa, mas acho que não vai rolar.

Ibra

 


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