Deixem a corrupção longe de campo

Por Rafael Reis

amarilla

Cobrar propinas para fechar contratos de exploração comercial de competições esportivas é revoltante. Vender para um país o direito de organizar uma Copa do Mundo é ainda mais nojento. Mas não há fraude no mundo do futebol que seja tão baixa e perigosa quanto a manipulação de resultados.

Afinal, combinar placares para favorecer um clube ou trazer vantagem financeira para um grupo de apostadores atinge o coração do torcedor e a relação de confiança que ele tem o esporte.

Se há algo capaz de destruir a paixão que faz do futebol um produto tão atrativo (e também por isso tão visado pro corruptores) é a sensação de que ele não passa de um jogo de cartas marcadas.

Por isso, desde a eclosão do maior escândalo de corrupção da história do futebol, os fãs do jogo esperam e temem pela descoberta de esquemas de fabricação de placares.

O primeiro caso a emergir não passo de um tiro n’água. O jornal italiano “Corriere dello Sport” publicou uma capa afirmando que havia encontrado evidências de um esquema de favorecimento de arbitragem para a Coreia do Sul na Copa-2002.

O texto da matéria, no entanto, não trazia nada disso: limitava-se a dizer que a abertura da caixa-preta da Fifa poderia mostrar que isso de fato aconteceu _os sul-coreanos, anfitriões do Mundial, eliminaram a Itália em um jogo marcado por erros no apito.

Mas o primeiro grande baque veio nesta semana. Uma investigação paralela na Argentina levantou dúvida sobre a idoneidade de árbitros em partidas do campeonato local e jogos decisivos da Libertadores, inclusive a polêmica eliminação corintiana para o Boca Juniors nas oitavas de final de 2013.

Agora, a Itália deu mais uma mostra de que ainda não conseguiu pôr fim ao seu longo histórico de manipulações e prendeu sete pessoas, inclusive o presidente do Catania, Antonino Pulvirenti, por um esquema de fabricação de placares para evitar o rebaixamento do clube da segunda para a terceira divisão do calcio.

São casos isolados, como já foram outros encontrados na Alemanha, na Espanha, na Ásia e até no Brasil, mas que, devido ao momento de inúmeras descobertas de corrupção envolvendo dirigentes de futebol, tomam uma proporção maior e parecem fazer parte de um grande esquema global chamado sujeira no esporte.

É claro que eles devem ser investigados e todos os envolvidos, devidamente punidos por essas manchas.

Mas como sou cético e não acredito que a corrupção possa ter um fim, faço apenas um pedido aos corruptores: contentem-se com as propinas de sempre. E deixem essa sujeira todo longe dos gramados.