A Copa de 2026 e o dilema americano

Por Rafael Reis

USA

 

A decisão da Fifa de adiar a escolha da sede da Copa do Mundo de 2026, anunciada nesta quarta-feira (10) em meio ao maior escândalo de corrupção da história do futebol, deve ter sido muito comemorada pelos Estados Unidos.

O atraso do processo seletivo, inicialmente previsto para maio de 2017, deu ao país o tempo necessário para elaborar uma forma de conciliar o papel de principal opositor da Fifa (e líder das investigações que provocaram a renúncia do presidente Joseph Blatter) e o de candidato interessado a receber a competição.

A tentativa de limpar o futebol da corrupção, comandada pelo FBI e apoiada pelo governo Obama, deixou a candidatura norte-americana em uma situação delicada.

Para serem eleitos, os EUA terão de superar o forte sentimento antiamericano que deve sugerir nas associações nacionais atingidas de alguma forma pelo escândalo.

É ingenuidade acreditar que os sucessivos escândalos descobertos pelo FBI irão tirar do futebol todos os dirigentes corruptos.

Mesmo que as linhas sucessórias se mexam, eles continuarão por lá. Terão direito a voto na escolha da Copa-2026 e estarão sedentos por vingança devido aos esquemas desmontados.

Mesmo que os EUA superem esse clima desfavorável, ainda terão de lidar com a desconfiança de que agiram em causa própria.

Receber o Mundial em 2026 passará a impressão de que os norte-americanos derrubaram Blatter e cia. apenas porque não queriam fazer a competição nos moldes dos dirigentes atuais (com possíveis salgadas comissões).

Antes da eclosão do escândalo, a escolha dos EUA como sede da Copa-2026 era quase que uma mera formalidade. O país tinha como prováveis adversários no processo seletivo seus vizinhos, Canadá e México.

Levar pela segunda vez o Mundial para casa é visto pelos norte-americanos como um dos último passos da transformação do “soccer” em um dos esportes mais populares da América.

Os EUA já conseguiram transformar a Major League Soccer em um campeonato de sucesso. A última Copa do Mundo bateu recorde de audiência no país.

Mas falta algo… Algo que ficou muito mais difícil nas últimas semanas.