Declínio do Shakhtar é o fato novo da temporada europeia

Por Rafael Reis

Shakhtar

Na Espanha, Barcelona ou Real Madrid. Na Inglaterra, Chelsea. Na Alemanha, Bayern de Munique. Na Itália, Juventus. Em Portugal, provavelmente o Benfica. Na França, deve dar Paris Saint-Germain. E na Rússia, é quase certo que será o Zenit.

É preciso ir à Ucrânia, a oitava liga nacional europeia em importância de acordo com os coeficientes da Uefa, para encontrar uma novidade nesta temporada.

E a maior notícia nem é que o Dínamo de Kiev deve voltar a ser campeão depois de cinco anos de jejum. Mas que a hegemonia do Shakhtar Donetsk parece ter chegado ao fim.

O empate por 0 a 0 com o Volyn Lutsk, na segunda-feira (4), deixou o “time mais brasileiro da Europa” e pentacampeão ucraniano a sete pontos do líder Dínamo. Restam quatro rodadas para o fim da competição.

Pior: o Shakhtar foi ultrapassado pelo Dnipro no fim de semana, perdeu a segunda colocação e hoje não estaria classificado para a próxima edição da Liga dos Campeões.

Desde 1996, o clube sempre termina o Campeonato Ucraniano com o título ou, na pior das hipóteses, como vice-campeão.

O possível fim dessa sequência está ligado aos efeitos dos conflitos separatistas na Ucrânia sobre o cotidiano Shakhtar.

O clube precisou abandonar Donetsk, que está no meio da linha de fogo entre ucranianos nacionalistas e alinhados à Rússia, e tem mandado jogos em Lviv, longe do apoio dos seus torcedores.

Pior que isso: deixou de ser um porto seguro para jovens brasileiros terem o primeiro contato com a Europa e se desenvolverem rumo a voos mais altos, como fizeram Fernandinho e Willian, hoje no Manchester City e Chelsea, com para se tornar um destino temido.

Bernard, que não conseguiu jogar bem desde que trocou o Atlético-MG pela Ucrânia, é um dos que sonham voltar para casa para fugir da guerra. Na mira de grandes europeus, Luiz Adriano e Douglas Costa também pretendem pular fora do Shakhtar.

A temporada atual foi a que o proprietário do clube, Rinat Akhmetov, menos gastou em contratações desde 2006/07. Todos os reforços contratados já estavam no futebol ucraniano. Ou seja, ninguém quis se mudar para o país.

E esse congelamento no mercado, sobretudo o brasileiro, fez a engrenagem do Shakhtar parar de girar.

 


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