França: a próxima rainha?

Por Rafael Reis

pogba

É lógico que é cedo para uma previsão certeira. Mas se tivesse que apostar em que irá suceder a Alemanha no topo do futebol mundial (seja em 2018 ou só em 2022), depositaria boa parte das minhas fichas na adversária do Brasil desta quinta-feira (26).

Depois de meia década de domínio espanhol e da ainda jovem hegemonia alemã, é bem provável que a modalidade tenha em um futuro próximo a França como maior potência.

Assim como Luis Aragonés e Vicente del Bosque no passado e Joachim Löw no presente, Didier Deschamps, o capitão do único título mundial dos Bleus, em 1998, tem à disposição a combinação exata entre jogadores de primeiro escalão já bem experimentados e talento jovem em abundância.

O goleiro Hugo Lloris, 28, do Tottenham, e o centroavante Karim Benzema, 27, do Real Madrid, estão entre os melhores do mundo em suas posições e mostraram na Copa-2014, quando a equipe caiu para a campeã, Alemanha, nas quartas de final, que estão prontos para liderar os franceses pelo menos até a Copa-2018.

Mas a vantagem dos franceses sobre os demais está em sua garotada. A safra de meninos não é boa. É ótima.

O país encerrou um jejum de 14 anos sem títulos europeus no Mundial sub-20 e é o atual campeão do torneio. Dois dos integrantes daquela equipe, o zagueiro Kurt Zouma (Chelsea) e o volante Geoffrey Kondogbia, irão participar do amistoso contra o Brasil.

Seriam três se Paul Pogba, 22, não estivesse machucado. Desejado por meio mundo, o jogador da Juventus é o maior trunfo da França para o futuro e, possivelmente, o maior rival de Neymar pelo prêmio de melhor jogador do mundo quando o reinado de Messi/Cristiano Ronaldo chegar ao fim.

Eleito o melhor jogador jovem da Copa-2014, Pogba é, como li em algum lugar tempos atrás, uma mistura de Patrick Vieira e Zinedine Zidane. Do primeiro, herdou o corpanzil e as passadas largadas que lhe dão velocidade. Do segundo, o maior da história francesa, técnica rebuscada e o exímio controle de bola.

Mas diferente dos dois, tem uma capacidade incomum de estar presente em todos os lugares do campo. É o sinônimo perfeito do futebol contemporâneo desenhado por técnicos como Pep Guardi0la.

E Pogba não está sozinho nessa tarefa de reconduzir a França ao topo do futebol.

Zouma, 20, e Raphael Varane (Real Madrid), 21, têm bola e idade para formarem uma dupla de zaga com mais de dez anos de duração. Antoine Griezmann (Atlético de Madri), 24 , é muito mais do que um mero atacante de velocidade. E Alexandre Lacazette (Lyon), 23, desabrochou e lidera a artilharia de um Campeonato Francês que tem Ibrahimovic como favorito quase eterno ao posto de goleador máximo.

Além de tudo isso, a França tem uma vantagem geopolítica e genética sobre os rivais: a farta oferta de africanos e descendentes que têm à disposição para vestir a tradicional camisa azul.

A partida contra o Brasil marca a estreia de mais um deles: o meia-atacante Nabil Fekir, 21, revelação do Lyon nesta temporada, que recusou a convocação da Argélia pelo sonho de ser campeão mundial. Um sonho que ainda está no começo, mas que está longe de ser irrealizável.