O Boca vem aí

Por Rafael Reis

Boca

Quatro jogos e quatro vitórias, classificação praticamente garantida para as oitavas de final, melhor ataque (14 gols), duas goleadas e o maior saldo de gols.

Se havia alguma dúvida, não há mais. O maior campeão da Libertadores no século 21 voltou em grande estilo à competição.

Depois de ficar fora da edição de 2014 do torneio sul-americano,  o Boca Juniors, seis vezes campeão continental, sendo três desde 2001, já dá mostras de que é sério candidato ao hepta.

A goleada por 5 a 1 sobre o Zamora, terça-feira (17), na Venezuela, utilizando um time misto, deixou a equipe argentina com vaga quase certa na próxima fase.

Só Boca, Corinthians e Santa Fé ainda têm 100% de aproveitamento na fase de grupos da Libertadores. Mas o time de Buenos Aires é o único deles que já jogou quatro vezes.

É verdade que sua chave nem de longe tem a mesma dificuldade do grupo onde está o Corinthians, considerado o “da morte” por reunir o São Paulo e o atual campeão, San Lorenzo –o Danubio é quase um café com leite.

Mas, por outro lado, o Boca tem despachado seus adversários com bem mais facilidade do que os comandados de Tite. O time argentino fez dez gols em dois jogos contra o Zamora, bateu o Palestino por 2 a 0 e só ganhou por um gol de diferença do Montevideo Wanderers.

O torcedor brasileiro pode até achar que a equipe de La Bombonera não é tudo isso ao saber que Martínez e Lodeiro, que tiveram passagens ruins pelo Corinthians, estão entre os destaques dos argentinos.

Mas não se engane. Os dois são bons jogadores, ainda que não tenham rendido bem no Brasil. E o Boca vai muito além deles.

Recém-repatriado da Europa, o atacante Pablo Daniel Osvaldo passou por Roma, Juventus e Inter de Milão e só não se firmou em nenhum gigante europeu porque seu juízo não acompanha a qualidade que possui.

O goleiro Orión (ex-Estudiantes) é um dos mais seguros do futebol argentino. E ainda há Gago, Cata Díaz, Burdisso, todos com passagens por grandes clubes do Velho Continente e casca grossa para encarar a tensão da Libertadores.

Não se deve esquecer ainda da tradicional inteligência tática dos argentinos, que colocam os brasileiros no chinelo nesse quesito. E nem do nome Boca, que impõe respeito em qualquer campo das Américas.

O heptacampeonato da Libertadores pode até não chegar em 2015. Mas o Boca vem aí…