KaiserMito

Por Rafael Reis

Kaiser

O apelido nasceu de maneira jocosa entre os torcedores e jogadores que cobriam o dia a dia do São Paulo.

Não importava o resultado, como havia sido sua atuação ou se estava no banco de reservas, Casemiro não perdia a pose. A cabeça sempre levantada, o peito estufado e a falta de freio para autoelogios exalavam uma certa arrogância… a popular marra, no linguajar do futebol.

Era tanta realeza para uma só pessoa que os apelidos de Kaisermiro ou Casemito não davam conta. Precisava ser KaiserMito

Dez entre dez funcionários e dirigentes do São Paulo diziam: o Casemiro sabe jogar a bola, mas, com essa cabeça, vai ser difícil chegar longe.

Apesar de tudo isso, o Real Madrid quis arriscar. Preferiu apostar no talento que seus olheiros observavam desde as categorias de base às opiniões de que o brasileiro não tinha mentalidade para se tornar um grande jogador. Acreditou que o volante iria amadurecer.

No começo de 2013, Casemiro foi para a Espanha para atuar no Castilla, o time B do gigante madrileno. Foi tão bem que rapidamente passou a ganhar chances no time principal.

Não sei se foi a convivência com craques de verdade, como Cristiano Ronaldo e Benzema, a distância do clima festivo do Brasil, passar pela experiência de encara a segunda divisão, o efeito da idade (completou 23 anos no mês passado) ou tudo isso. Mas o volante virou outro jogador. E, aparentemente, outra pessoa.

Emprestado ao Porto para ganhar experiência, foi o dono do meio-campo na goleada por 4 a 0 sobre o Basel, terça-feira (10), pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Além de ganhar quase todas as disputas de bola, marcou um golaço, de falta.

A grande atuação em Portugal aliada a mais uma derrota do Real Madrid transformou o brasileiro na solução para os problemas do time de Carlo Ancelotti, em crise apesar da classificação para as quartas da competição europeia.

O “Marca”, um dos maiores jornais da Espanha e praticamente um panfleto do torcedores madridista, publicou que “mais de um está lamentando o empréstimo do brasileiro, já que Ancelotti não encontra o companheiro de Kroos. Illarramendi, Lucas Silva, Khedira… ninguém convence o técnico italiano.”

A boa fase de Casemiro já foi recompensada por Dunga, que o convocou para os amistosos do fim do ano passado, quando a seleção teve apenas jogadores que atuavam no exterior.

Mesmo não tendo permanecido na lista para os jogos contra França e Chile, neste mês, o volante voltou a ser tratado como o jogador de seleção que parecia ser quanto subiu para o profissional.

É que o KaiserMito parece ter ficado no passado. Deu lugar para o Casemiro.