Pobres ricos ingleses

Por Rafael Reis

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Foi-se o tempo em que os ingleses eram os senhores absolutos da Liga dos Campeões da Europa.

Os jogos de ida das oitavas de final da competição mostraram que cenas como a final entre Manchester United e Chelsea, em 2008, já pertencem a um passado bem distante.

Dos três integrantes da Premier League ainda vivos no torneio, apenas um, o Chelsea, conseguiu um bom resultado na primeira partida: empate por 1 a 1 com PSG.

Já Manchester City e Arsenal dependem de um milagre para ficarem entre os oito melhores times europeus da temporada.

O primeiro, atual campeã nacional, teve uma derrota até aceitável, ainda que em casa (perdeu por 2 a 1 para o Barcelona).

Mas o Arsenal passou vergonha. Contra o Monaco, certamente o pior entre os primeiros colocados de grupo e que havia marcado só quatro gols em seis partidas, e jogando em Londres, teve sua rede balançada três vezes. Caiu por 3 a 1 e praticamente decretou sua eliminação.

O cenário mais provável é que apenas o Chelsea represente a Inglaterra nas quartas. Desempenho fraquíssimo para um país que esteve em sete das oito finais da Liga dos Campeões entre 2005 e 2012, ano da sua última taça, justamente com os “Blues”.

Curiosamente, o declínio inglês não tem nada de econômico. Pelo contrário: ele coincide com o aumento de dinheiro recebido pelos integrantes da Premier League.

A elite inglesa acaba de assinar o maior contrato da história de venda dos direitos de transmissão de uma liga nacional. O pacote irá render aos clubes cerca de 5 bilhões de libras (R$ 22,6 bilhões) pelas partidas entre 2016 a 2019.

Com o novo acordo, mesmo os times mais fracos da primeira divisão da Inglaterra terão cotas de TV maiores do que o Bayern de Munique recebe na Alemanha, só para citar o exemplo de um gigante que tem constantemente deixado os britânicos para trás na Premier League.

Só que o dinheiro não é tudo no futebol. Para a tristeza dos pobres ricos ingleses.