O Parma quebrou. E daí?

Por Alex Sabino

Parma

 

As notícias chamam mais a atenção do que as possíveis consequências. Basicamente, o Parma quebrou. Um clube que apareceu como meteoro na década de 80 impulsionado pelo dinheiro da Parmalat não paga salários para os seus jogadores desde julho do ano passado. Não há água quente no vestiário. A partida da semana passada contra a Udinese foi adiada porque não havia dinheiro para pagar os seguranças. A possibilidade é real de a equipe da Emilia-Romagna decretar falência.

Aqui cabe um pouco de cinismo. E daí? A longo prazo, a consequência disso é… Nenhuma.

Quando uma empresa ou instituição quebra e é dissolvida, a primeira imagem é de “fim”. Acabou.

No futebol, não funciona assim.

Digamos que o Parma tenha de decretar falência e não consiga pagar suas dívidas, hoje avaliadas em 197,4 milhões de euros (R$ 645,5 milhões). Qual o pior cenário possível?

O clube “acabar” para, em seguida, ser recriado com praticamente o mesmo nome. Depois começa a disputar as divisões inferiores e como tem mais fama, camisa e dinheiro que os rivais, consegue sucessivos acessos até estar de volta à elite do futebol nacional. E até mesmo às competições continentais.

Foi o que aconteceu com o Napoli em 2004. Falido, o clube foi refundado como Napoli Soccer e obrigado a disputar a C1, a terceira divisão italiana. Em 2006, voltou ao nome original (Societá Sportiva Calcio Napoli). Nove anos depois, o time do sul da Bota está em terceiro na Série A e  participa da Liga dos Campeões da Europa. A falência virou uma nota de rodapé na história.

Sem tirar nem pôr, exatamente a mesma coisa já havia acontecido com a Fiorentina a partir de 2002. Em 2012, o Glasgow Rangers foi liquidado. Recriado como Rangers FC, pode já estar novamente na primeira divisão escocesa em agosto deste ano.

Não é certo que o Parma vá passar pelo mesmo processo. Soluções de curto prazo são estudadas. A Prefeitura pode assumir parte dos custos do clube até o final desta temporada, em uma tentativa de evitar a falência. A Federação Italiana pode fazer um empréstimo de 5 milhões de euros (R$ 16,3 milhões) para cobrir os custos mais urgentes e até clubes rivais sinalizam que podem ajudar.

Mas se o pior acontecer e o Parma FC “acabar”, não é preciso chorar muito. É uma pena ver o  time que já teve escalação com Buffon, Thuram, Zola, Verón e Crespo passando por isso. Mas logo estará de volta. Se bobear, até com o mesmo nome e, em pouco tempo, jogando a primeira divisão.