A nova política de Figo é tão velha quanto João Havelange

Por Rafael Reis

Figo

Celebrado como um sopro de esperança e renovação na eleição para presidência da Fifa, o astro português Luís Figo, 42, já deu a primeira mostra que sua candidatura pouco tem de nova política.

A primeira proposta anunciada pelo melhor jogador de 2001 bebe na fonte do que mais arcaico existe na gestão da entidade, a era João Havelange, justamente o criador de todo o sistema que hoje é bombardeado pela oposição a atual presidente, Joseph Blatter.

O português anunciou nesta quinta-feira (19) que pretende aumentar o número participantes da Copa do Mundo das atuais 32 para 40 ou 48 seleções.

O inchaço visa alavancar a candidatura de Figo fora da Europa. Se dento do Velho Continente, Figo é um nome forte o suficiente para desbancar Blatter, fora dele é um mero coadjuvante nas eleições programadas para o fim de maio.

O congresso da Fifa, realizado no último mês de junho em São Paulo, mostrou que o presidente tem América, África, Ásia e Oceania nas mãos. Ou seja, que só não será reeleito no caso de hecatombe.

É essa hecatombe que Figo deseja provocar com a proposta de uma Copa do Mundo inchada. Basicamente, ele quer comprar votos. Não com dinheiro, o que até mesmo na Fifa é proibido, mas sim com a distribuição mais farta de vagas no torneio.

Tudo muito parecido com a receita criada justamente pelo mentor de Blatter. Havelange se sustentou por 24 anos no comando da Fifa agradando principalmente africanos e asiáticos com mais times na Copa.

Quando o brasileiro assumiu a entidade, a competição reunia apenas 16 times. Ao deixar o órgão, em 1998, eram 32.

Parafraseando os tempos de ditadura no Brasil, Figo pretende reestabelecer a política do “onde a Fifa vai mal, um time no Mundial” (a frase não é de minha autoria, mas sim de José Benedito da Silva, editor-assistente de “Esporte”.

Vale lembrar que Michel Platini, também um ex-jogador de destaque e o maior nome da oposição a Blatter, também adotou uma política semelhante para tomar a Uefa das mãos do grupo de Lennart Johansson.

O francês fez uma candidatura para os países pequenos, cuja principal medida era ampliar a participação de clubes da periferia na Liga dos Campeões. Ele também inchou a Eurocopa, sua versão reduzida da Copa do Mundo, de 16 para 24 seleções.

Além de Figo e Blatter, concorrem à presidência da Fifa o presidente da Federação Holandesa de Futebol, Michael Van Praag, e o príncipe da Jordânia Ali bin Al-Hussein, membro do comitê executivo da entidade.

A eleição acontece no Congresso da Fifa, em Zurique, na Suíça, no dia 29 de maio. O próximo presidente da entidade será escolhido por um colégio eleitoral com um representante de cada um dos 209 países associados ao órgão.