Lucas e a entrevista que não saiu

Por Rafael Reis

lucas

Já estava tudo certo há mais de dez dias. A Folha apresentaria o início da fase final da Liga dos Campeões da Europa com uma entrevista que fiz com o meia-atacante brasileiro Lucas, uma das estrelas que estariam envolvidas no confronto entre Paris Saint-Germain e Chelsea, nesta terça-feira (17).

Mas o futebol é dinâmico, e o jornalismo vai junto. A lesão muscular que fez o ex-camisa 7 do São Paulo sair chorando de campo contra o Caen, no sábado (14), não só o tirou da esperada partida contra os ingleses, mas também das páginas do jornal.

A entrevista, que jamais será publicada no jornal devido à contusão, pode ser lida a partir de agora aqui no blog “O Mundo é uma Bola”.

Folha – Seu desempenho nesta temporada pelo PSG melhorou muito em relação ao ano passado, quando você até perdeu espaço na seleção. A que se deve esse crescimento?
Lucas – Primeiramente, é por causa da adaptação ao futebol francês. Passei um período meio complicado aqui. Saí do meu país, tive de me acostumar a uma nova cultura, a outros jogadores. Eu já imaginava que passaria por isso. Mas sempre trabalhei firme, nunca deixei de acreditar no meu potencial. Os brasileiros que jogam aqui me ajudaram muito. Hoje, posso falar que meu período de adaptação acabou. Já me sinto confiante para fazer minhas jogadas, tenho o apoio de todo mundo, da torcida. Tudo isso conta. Confiança é 90% no futebol. Hoje, vivo meu melhor momento no PSG e estou muito feliz, muito contente.

Ficar fora da Copa do Mundo também ajudou nesse processo de evolução?
Tem males que vêm para o bem, que ajudam no nosso aprendizado, no nosso crescimento. Ficar fora da Copa não foi o que eu queria, é lógico. Tenho esse sonho de disputar uma Copa. Mas, enfim, acabou não acontecendo. De certa maneira, acabou me dando motivação para fazer parte da próxima Copa. Sei que tenho capacidade e tempo para isso. Fiquei chateado no momento, mas sempre prefiro olhar para sempre.

O PSG desta temporada tem tropeçado muito e nem lidera o Francês [ocupa a terceira colocação]. O que está acontecendo?
A gente não está tão bem no nosso nível de exibição, no jogo coletivo. Todo mundo olha para gente por causa do investimento que tem sido feito aqui. Mas não dá para achar que vamos nos manter em alta todos os anos. Ainda temos tempo para brigar pelo campeonato. Esta é uma temporada puxada, estamos sem descanso. O Lyon e o Olympique de Marselha têm mais tempo, menos jogos. O importante é que mesmo não jogando tão bem quanto na temporada passada, estamos conseguindo as vitórias e continuando na briga pelos títulos.

Muito tem se comentado sobre problemas de relacionamento entre os jogadores do PSG, principalmente entre Ibrahimovic e Cavani. Esses problemas são verdadeiros?
O que posso afirmar é que nosso ambiente está muito bom. Quando os resultados não estão bem, essas coisas aparecem na imprensa. Mas não teve briga nenhuma entre o Ibra e o Cavani. É tudo boato.

Vocês vão enfrentar nas oitavas de final o Chelsea, líder do Campeonato Inglês e o time que eliminou o PSG da última Champions. Dá para falar que tiveram azar no sorteio?
Não tem essa de azar ou sorte. Todos os adversários seriam difíceis. Uma hora ou outra teríamos que pegar os times de maior expressão. Eles vivem um momento melhor que o nosso, mas somos um time de qualidade, com jogadores competitivos.

O que vocês aprenderam com a derrota para o Chelsea na temporada passada que dá para aproveitar neste ano?
É difícil estudar os duelos que já passaram porque cada jogo é diferente, e eles mudaram um pouco os jogadores desde a última Champions. No ano passado, fomos eliminados pelo gol fora. Aprendemos isso: não podemos tomar gol em casa. Enfim, temos que ganhar o jogo aqui em Paris.

Ajuda o fato de o Chelsea ter jogadores que vocês conhecem bem, até por convívio na seleção, casos do Oscar e do Willian?
Acredito que isso ajuda sim. Principalmente para o David [Luiz, zagueiro brasileiro do PSG], que passou um tempão no Chelsea e conhece bastante os adversários. Mas mesmo conhecendo bem os rivais, temos de tomar cuidado, porque eles são jogadores de qualidade, principalmente o Oscar, o Hazard e o Willian.

Para quem deseja voltar para a seleção, como é seu caso, existe uma motivação extra nos jogos da Liga dos Campeões por serem aquelas partidas que todo mundo, inclusive o técnico Dunga, vê?
Acredito que são nos grandes jogos que vê observa os grandes jogadores. Lógico que passa pela cabeça do jogador que o Dunga vai estar olhando, mas precisamos lembrar também que ele pode estar de olho em qualquer partida, até naquelas que você não imaginava. O mais importante sempre é ajudar a equipe. Ganhar a Champions League é o sonho de qualquer jogador.