A viagem dos sonhos do Eibar

Por Rafael Reis

Eibar

Dois anos atrás, Mikel Arruabarrena, 31, costumava jogar para 400 torcedores, ganhava pouco mais de 2.000 euros por mês (R$ 6.100) e atravessava a Espanha, sempre, a bordo de um ônibus.

Hoje, o centroavante enfrenta públicos de 80 mil pessoas, fatura pelo menos seis vezes mais, convive com estrelas do porte de Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar. E, principalmente, andava de avião.

“Estamos vivendo um sonho”, resumiu, por telefone, à Folha.

A transformação da carreira de Arruabarrena não está ligada à transferência para um clube mais forte. Mas sim à ascensão do Eibar, pequeno clube basco que se tornou a sensação do Campeonato Espanhol.

O time da cidade de 28 mil habitantes conseguiu deixar a tercera divisão duas temporadas atrás. No ano passado, foi campeão da segunda divisão e conseguiu sua inédita promoção para a elite.

Novidade na primeira divisão, a equipe não tem feito feio. Depois de 21 rodadas, já trocou a ideia de um rebaixamento quase certo por uma campanha segura.

Oitavo colocado, o Eibar é o melhor representante do País Basco na temporada espanhola. Supera, até com certa folga, os tradicionais Athletic Bilbao (11º colocado) e Real Sociedad (13º).

“Nem podíamos esperar isso. Quando subimos, só queríamos um prêmio para nós mesmos, que era curtir esse um ano na primeira divisão. A gente achava que seria difícil se salvar do rebaixamento.”

Arruabarrena esteve em todos os momentos do despertar do clube. Fez 13 gols na campanha do acesso para a segundona e outros sete na ida para a primeira. Na atual temporada, já balançou as redes cinco vezes.

Os números do atacante são semelhantes a de jogadores que o técnico Vicente del Bosque tem convocado para a seleção espanhola. Alcácer, centroavante do Valencia, também tem cinco gols no torneio, Nolito, do Celta, só um a mais.

“Tenho que ser realista, não dá para pensar em seleção. Mas agora já acredito que essa viagem [pela primeira divisão] vai durar mais.”

Uma viagem de avião, fez questão de ressaltar. “Era duro andar sempre de ônibus.”