Futebol para (quase) todos

Por Alex Sabino

sky sports

 

Por populismo e conveniência para os clubes, o governo da Argentina criou o “Futebol para Todos”. A TV Pública é dona dos direitos de transmissão dos jogos do campeonato nacional, que são transmitidos ao vivo pela emissora estatal e outras amigas do regime. A rodada é espalhada por três quatro dias. Quase nunca duas partidas começam no mesmo horário. Assim, podem ser mostradas sem concorrência.

O cerne da ideia é o mesmo, mas sem verba pública e com muito (mas MUITO) mais dinheiro.

A Premier League inglesa ensaia atualmente a maior revolução no modelo de transmissão de futebol no país desde 1992, quando o torneio foi modernizado e o canal Sky Sports, do império de Rupert Murdoch, ganhou o direito de transmiti-lo. Assim como na Argentina, todos os jogos podem ser mostrados ao vivo, seja pela televisão ou internet. O expediente também é usado pela UEFA na Champions League, mas não em ligas nacionais.

Um novo leilão pelos direitos de transmissão vai acontecer nos próximos meses, valendo a partir do início da temporada 2016-2017 até o fim do campeonato de 2018-2019. Sky Sports e BT Sports vão digladiar pelos pacotes com mais partidas, o que pode render um contrato de US$ 4 bilhões para os clubes.

Há um movimento na Premier League para abrir pacotes para outras plataformas e aproveitar o poder da Internet, onde os links ilegais proliferam. Empresas como a Apple e o Google estão de olho em um mercado que pode fazer os US$ 4 bilhões de Sky e BT parecerem dinheiro de pinga.

Isso também cria a possibilidade de que os jogos da rodada sejam espalhados durante a semana, maximizando o potencial de marketing. Os principais clubes do Reino Unido, como Manchester United, Arsenal e Liverpool, são favoráveis à mudança. Entendem que perdem dinheiro com a pirataria e que é preciso montar no cavalo selado das transmissões pela internet.

Nos Estados Unidos, a NBC já oferece streaming de jogos pela web mediante a venda de assinaturas. Mas é um serviço que vale apenas para os consumidores norte-americanos.

Quando oficializada, a medida vai encontrar forte oposição. Especialmente entre os torcedores que acreditam no poder da TV de elitizar o futebol, provocando aumento de preços dos ingressos e tirando da classe trabalhadora a possibilidade de estar presente em jogos importantes. É uma acusação que já é feita, aliás. Clubes como o Arsenal chegam a cobrar 62 libras (R$ 248) por uma entrada.

As emissoras de TV são proibidas de mostrar jogos ao vivo no horário nobre do futebol no país: sábado, às 15 horas. Até por isso, os confrontos mais importante da Premier League sempre acontecem às 12h45 do sábado ou durante o domingo.