Condenado por estupro pede segunda chance no futebol da Inglaterra

Por Alex Sabino

ched evans

 

Um clube da terceira divisão comunicar que certo atacante de 25 anos vai treinar com o elenco profissional não deveria suscitar nenhuma manchete. Qual a novidade? Ainda mais sendo um jogador com passagem anterior pela equipe.

A notícia que Ched Evans está de volta ao Sheffield United causou alvoroço na Inglaterra. Fez nascer debate que vai além do que é legal, mas também do que é ético no futebol.

Em 2011, aos 22 anos, Evans, atacante galês considerado uma revelação, foi acusado de estuprar garota de 19 anos em hotel na cidade de Rhyl, balneário no nordeste do País de Gales. Acabou condenado a cinco anos e meio de prisão. Cumpriu a metade da pena e foi solto no mês passado, por bom comportamento.

Evans sustenta até hoje que o sexo foi consentido após uma noite de bebedeira nos pubs da cidade. A vítima jura ter sido estuprada e o júri concluiu que ela estava bêbada demais para consentir a relação com  o jogador ou mesmo ter noção do que estava acontecendo.

Ele pediu a revisão da pena e quer que aconteça novo julgamento que o inocente da acusação. O caso está sendo novamente analisado.

A libertação de Evans fez com que parte da torcida do Sheffield United pedisse que o atacante fosse recontratado, o que causou indignação em movimentos de defesa das mulheres e suscitou o debate na imprensa: um estuprador condenado pela Justiça merece segunda chance? E se ele já cumpriu a pena e pagou sua dívida com a sociedade?

O United permitiu que o artilheiro voltasse a treinar no clube a pedido da PFA (Professional Footballers’ Association, o sindicato dos jogadores), sob o argumento de que o time de Sheffield foi o último com o qual Evans teve contrato profissional.

“O clube rejeita a noção de que a sociedade deve impor extraoficial ou adicional  pena a qualquer um. Em um país de leis, servido por um parlamento eleito e constituído com cortes de justiça, não há lugar para ‘justiça de multidões'”, diz a nota divulgada pelos Blades, apelido da agremiação.

Uma petição pedindo que ele seja recontratado reuniu 157 mil assinaturas. O técnico Nigel Clough (filho do lendário Brian Cough) não se compromete com qualquer pedido e diz que a decisão é dos donos do clube, o árabe Abdullah Bin Musa’ad Bin Abdul Aziz e o inglês Kevin McCabe. Não há uma decisão tomada.

Eu seu site pessoal, Evans pediu para ter segunda oportunidade no futebol. “Sei que nem todo mundo vai concordar com isso”, especulou ele, que tem 35 gols marcados em 42 partidas pelo clube.

Está absolutamente certo. A Associação pelo Fim da Violência contra a Mulher disse estar “horrorizada” com a decisão e quer o envolvimento do governo para impedir que o atacante volte ao futebol. “A reputação de um esporte que oferece enorme prestígio para o Reino Unido está sob risco quando alguns dos seus líderes parecem colocar lucro e sucesso à frente da tolerância zero nos casos de violência sexual”, afirmou Sarah Green, porta voz da entidade.

A discussão está apenas começando e ficará ainda pior quando e se Evans voltar a jogar. A questão sobre nova chance para alguém condenado por estupro continuará viva.