Ribéry e a banalização das seleções

Por Rafael Reis

Ribery

Lahm, Klose, Mertesacker, Eto’o, Xabi Alonso, Xavi, Gerrard, Lampard, Ribéry e até Valdivia. A lista de jogadores que anunciaram a aposentadoria de suas seleções depois da Copa do Mundo é extensa e recheada de estrelas de alto quilate.

A debandada de astros fez até o presidente da Uefa e aspirante a algum dia comandar a Fifa, Michel Platini, comprar briga com Ribéry.

O ex-jogador declarou não entender a escolha do meia-atacante de não defender mais seu país às vésperas de ele sediar a Eurocopa-2016.

Mais: defendeu que a Fifa aplique a Ribéry a pena de suspender o jogador de três jogos do Bayern de Munique por recusar atuar pela França.

A sanção está prevista nos regulamentos do órgão que gerencia o futebol mundial. Basicamente, um jogador não tem direito de se aposentar da seleção. O que acontece é um acordo de cavalheiros entre o jogador e o técnico para que ele não seja mais convocado.

Foi, segundo o próprio Platini, o que fez Lahm, capitão da seleção alemã, depois de levantar a taça de tetracampeã mundial. O lateral pediu para ser esquecido por Joachim Löw.

Ao atacar Ribéry, Platini combate apenas o problema sem se preocupar com a causa. Uma causa aliás que o próprio mandatário da Uefa ajudou a cimentar.

As aposentadorias de seleções não param de crescer porque as temporadas dos clubes são cada vez mais desgastantes e os jogos dos times nacionais valem cada vez menos.

O próprio Ribéry, 31, perdeu a Copa devido a dores nas costas. Fruto de uma temporada pelo Bayern em que sofreu quatro contusões. E da qual não teve tempo de se recuperar adequadamente de nenhuma delas.

O que a maior parte dos jogadores que deixaram as seleções deseja não é ficar fora da Eurocopa ou da Copa do Mundo. Mas sim se livrarem das inúmeras datas Fifa preenchidas por amistosos caça-níquel ou até jogos oficiais de importância praticamente nula.

E é aí que entra a parcela de responsabilidade de Platini. Na ânsia de aumentar sua popularidade na Europa, o dirigente aumentou o número de participantes da próxima edição da Euro, justamente a da França, em 2016, e tratou de esvaziar as eliminatórias do torneio.

Com 24 equipes na fase final, e não mais 16, as seleções de primeiro escalão, como Espanha, Alemanha, Itália, Inglaterra e Holanda, têm certeza de que se classificarão. Ou seja, passarão os próximos dois anos disputando partidas pouco interessantes. E com apelo nulo para segurar Lahm, Klose, Mertesacker, Xabi Alonso, Xavi, Gerrard e Lampard.