A máquina de fazer dinheiro do Southampton

Por Rafael Reis

Três anos atrás, o Southampton amargurava a terceira divisão inglesa e só era lembrado esporadicamente pelas promessas que brotaram de suas categorias de base: Theo Walcott, Gareth Bale e Alex Oxlade-Chamberlain.

Hoje, está com os cofres cheios e colhe os frutos da sua melhor campanha na Premier League em uma década.

O desmanche do time que foi oitavo colocado da liga nacional mais rica e importante do mundo rendeu ao Southampton nos últimos dois meses € 120 milhões (cerca de R$ 360 milhões).

Nenhum outro clube do mundo faturou tanto com venda de jogadores na atual janela de transferência. E nem passou perto disso.

O Monaco, segundo do ranking, ganhou € 86,5 milhões (R$ 260 milhões), mas € 80 milhões (R$ 240 milhões) foram só pela negociação da sensação colombiana James Rodríguez para o Real Madrid.

No caso do Southampton, foram quatro grandes negócios. Três deles envolvendo jogadores fabricados em sua base, a mais pulsante de uma Inglaterra que tanto sofre para produzir novos talentos.

Reserva da seleção na Copa-2014, o lateral esquerdo Luke Shaw, 19, o mais caro e jovem deles, foi para o Manchester United por € 37,5 milhões (R$ 112,4 milhões).

O Liverpool topou pagar € 31 milhões (R$ 93 milhões) pelo meia Adam Lallana, 26, que também veio ao Brasil com o English Team. Em em negócio fechado nesta segunda-feira (28), o Arsenal acertou com o lateral direito Calum Chambers, 19, por € 20,3 milhões (R$ 60,9 milhões).

Já o zagueiro croata Dejan Lovren, 25, que havia sido contratado do Lyon por € 10 milhões (R$ 30 milhões) um ano atrás, acabou vendido também para o Liverpool por € 25,3 milhões (R$ 75,8 milhões).

A outra negociação com os Reds, essa mais modesta, foi a do centroavante Rickie Lambert, em transferência de € 5,5 milhões (R$ 16,5 milhões) —o atacante custou € 1,2 milhão (R$ 3,6 milhão) em 2009, quando deixou o Bristol.

Mesmo com grande sobra depois de tantas vendas, o Southampton não deve gastar a rodo para montar o elenco para a próxima temporada.

Os dois primeiros reforços, o sérvio Dusan Tadic e o italiano Graziano Pellè, que estavam na Holanda, mostram qual será a política de contratações do clube: buscar jogadores de talento, mas quem ainda não estouraram e maturá-los para uma futura venda milionária.

Boa parte da fortuna arrecadada irá para fortalecer ainda mais o trabalho das categorias de base. Ou seja, para descobrir novos Walcotts, Bales, Oxlade-Chamberlaims, Shaws, Lallanas e Chambers.