O melhor e o pior da final da Champions League

Por Alex Sabino

Qual é a final mais memorável da história da Champions League?

E qual foi aquela que, de tão ruim, nem nos lembramos que existiu?

Na semana em que o maior torneio de clubes do planeta será definida entre Real Madrid e Atlético de Madrid, o “O Mundo é uma Bola”  relembra as cinco maiores decisões da história da competição. E as piores.

 

AS MELHORES

5. Benfica 5-3 Real Madrid – 1962

Foi o jogo que marcou uma passagem de guarda. O fim do grande Real Madrid, ganhador das cinco primeiras Copas da Europa (de 1956 a 1960) e a confirmação de que o maior time do continente era o Benfica. Mais especificamente, o Benfica de Eusébio.

Os portugueses haviam quebrado a hegemonia espanhola no ano anterior ao baterem o Barcelona na final. O Real Madrid conseguiu chegar mais uma vez à decisão e parecia disposto a reconquistar o trono em Amsterdã. Com 25 minutos, já ganhava por 2 a 0, graças a dois gols de Puskas. No intervalo, vencia por 3 a 2, quando o húngaro fez mais um gol para frear a reação do Benfica.

No segundo tempo, apareceu Eusébio. O Pantera anotou dois e fechou a memorável vitória sobre o seu ídolo Di Stefano. As imagens da comemoração o mostram sendo carregado por torcedores, agarrado à camisa que o argentino lhe havia dado.

 

 

4. Real Madrid 2-1 Bayer Leverkusen – 2002

A coroação da geração dos galáticos. E um dos momentos mais sublimes da história do futebol. Zinedine Zidane acertando voleio no ângulo para dar o título ao Real Madrid. O último conquistado pela equipe (pelo menos até o próximo sábado).

Um jogo que teve Casillas saindo do banco de reservas para salvar o time espanhol no segundo tempo e a confirmação do apelido Bayer “Neverkusen” para os alemães.

 

3. Liverpool 3-3 Milan  (3 x 2 nos pênaltis) – 2005

No intervalo, o Milan vencia por 3 a 0 e foi para o vestiário, em Istambul, acreditando já ser campeão europeu. Todos achavam isso. Até quem estava apenas assistindo ao confronto.

“Vocês precisam de apenas um gol para voltarem ao jogo”, disse Rafa Benítez aos jogadores do Liverpool.

Parecia conversa fiada, mas deu certo. Em 15 minutos, os ingleses anotaram três vezes e empataram. Jerzy Dudek fez  defesa incrível nos instantes finais e levou a partida para os pênaltis. Deu Liverpool.

 

2. Manchester United 2-1 Bayern de Munique – 1999

Anos depois, Sir Alex Ferguson confessou que estava à beira do campo, imaginando o que diria para seus jogadores após a derrota. Foi quando a placa de três minutos de acréscimo foi erguida pelo quarto árbitro.

Foram os 180 segundos mais emocionantes da história do futebol. Quando terminaram, os atletas do Bayern estavam caídos no gramado, chorando. O ganês Kuffour esmurrava o chão, inconformado. O Manchester United havia virado com gols de Sheringham e Solskjaer.

 

1. Real Madrid 7-3 Eintracht Frankfurt – 1960

A final resumiu o que representou o grande time do Real dos anos 50 e 60. Velocidade, passes e ofensividade, sem dar grande importância ao adversário. Puskas fez quatro gols. Di Stefano, três.

Para alguns, a maior partida de todos os tempos.

 

OS PIORES

5. Juventus 1-0 Liverpool – 1985

Duas grandes equipes e um dos maiores jogadores da história (Michel Platini). Todos em uma final que não deveria ter acontecido, minutos depois de confusão causada pela torcida do Liverpool que resultou na morte de 39 pessoas. Centenas ficaram feridas.

O francês fez o gol da vitória de pênalti e comemorou, sendo acusado pelos jornais de “sapatear sobre os mortos”. Para completar, o árbitro suíço Andre Daina se equivocou no lance. A falta em Boniek havia sido fora da área.

 

4. Internazionale 1-0 Benfica – 1965

Helenio Herrera ficou marcado como o inventor do catenaccio. Embora a fama de retranqueiro tenha sido exagerada no decorrer dos anos, a final da Copa da Europa de 1965 a justificou. A Inter apenas anulou Eusébio e a força ofensiva do Benfica, ajudada pelo encharcado gramado do San Siro.

O gol da vitória foi do brasileiro Jair da Costa, em um frango de Costa Pereira.

 

3. Milan 0-0 Juventus (3×2 nos pênaltis) – 2003. 

Nas quartas de final, em Old Trafford, Manchester United e Real Madrid haviam protagonizado uma das grandes partidas da história. Os ingleses venceram por 4 a 3, mas foram eliminados. Ronaldo Fenômeno, autor de três gols, saiu aplaudido de pé pela torcida do United.

A final foi disputada no mesmo estádio. Parecia outro esporte. Cada time entrou em campo na expectativa que o outro morresse de tédio. Nos pênaltis, Dida foi decisivo e o Milan venceu por 3 a 2.

 

2. Estrela Vermelha 0-0 Olympique de Marselha (5×3 nos pênaltis) – 1991

O Estrela Vermelha tinha um grande equipe. Jugovic, Prosinecki, Mihajlovic, Pancev e Savicevic, entre eles. Todos teriam vencedoras carreiras em grandes clubes europeus. O Olympique já era o elenco financiado por Bernard Tapie, com Boli, Mozer, Chris Waddle, Papin e Abedi Pelé.

Tinha tudo para ser uma grande final em Bari, na Itália. Mas não foi.

 

1. Steaua 0-0 Barcelona (2×0 nos pênaltis) – 1986

A final do torneio nunca havia acabado 0 a 0 até o jogo disputado em Valência. O Barcelona acreditava que aquele era o ano do seu primeiro título, mas não encontrou saída para fugir da retranca dos romenos. Quase sem chances criadas em 120 minutos, o título foi decidido nos pênaltis.

Nem assim os jogadores conseguiram acertar o alvo. O Barcelona errou todas as cobranças, transformando o goleiro Duckadam em herói. O Steua venceu por 2 a 0.