Barcelona olha para o próprio umbigo

Por Rafael Reis

A revolução do Barcelona depois da sua pior temporada desde 2008 será tudo, menos revolucionária.

Na hora de escolher o substituto de Tata Martino, a diretoria  não quis nem pensar nos que os Diego Simeone e Jürgen Klopp da vida estão fazendo para minar o hoje já previsível tiki taka culé.

Em vez de se oxigenar com ideias externas que poderiam atualizar, sem desfigurar, seu sistema de jogo, o clube preferiu olhar para o seu próprio umbigo.

Luis Enrique, 44, anunciado nesta segunda-feira como o terceiro técnico do Barcelona pós-Guardiola é quase tão catalão quanto Pep ou Xavi.

O ex-atacante é asturiano de Gijón, mas virou extraoficialmente um cidadão honorário da Catalunha ao trocar o Real Madrid pelo Barcelona, na mais polêmica transferência de um jogador do futebol espanhol na década de 1990.

Mais que isso: Luis Enrique como treinador é um produto genuíno das canteras do Barcelona. Foi ele o substituto de Pep no Barça B quando o ex-volante foi promovido para o time principal.

O asturiano só não sucedeu Guardiola também na equipe de cima, já em 2012, porque cansou de esperar por uma chance. Em 2011, aceitou convite para dirigir a Roma e abandonou La Masía.

A passagem pela Itália durou só uma temporada. Luis Enrique propôs uma revolução no Calcio. Caiu antes de conseguir fazer a Roma tocar a bola como ele tanto sonhava.

Voltou à Espanha um ano atrás e encontrou no Celta um cenário mais propício para desenvolver o estilo de jogo que mais gosta. Fez do time de Vigo o quinto com melhor passe e o sexto com maior posse de bola da Liga.

Muito para quem tinha um orçamento tão modesto. E o suficiente para convencer o Barcelona que havia chegado a hora de resgatá-lo.

Com Luis Enrique, o Barcelona deve voltar a ser mais Barcelona, com o toque de bola catalão retornando aos tempos de Pep e seu primeiro substituto, Tito Villanova.

As tentativas de contra-ataques e jogadas velozes pelas pontas introduzidas pelo argentino Tata Martino na última temporada devem ficar pelo caminho. Pior para Neymar, que havia sido contratado justamente para mudar um pouco a cara do Barcelona.

Os primeiros reforços foram anunciados junto com o treinador: o goleiro Ter Stegen, que tem como virtude jogar bem os pés, e os meias Rafinha Alcántara e Deulofeu, crias de Luis Enrique no Barcelona B que haviam sido emprestadas para ganhar experiência. Ou seja, mais do mesmo.

Luis Enrique, novo técnico do Barcelona, tem raízes catalãs