Procurando por Totó Schillaci

Por Alex Sabino

Quando jogador fala em Copa do Mundo, volta e meia usa a palavra “sonho”. É sonho levantar a taça. É sonho jogar o torneio. É sonho apenas ser convocado. Para o torcedor, o desejo pode ser apenas assistir a um jogo ao vivo. Da primeira fase à final.

Para Steve, Greg, Alex e Rob, quatro amigos ingleses, o Mundial é a chance de encontrar Salvatore Schillaci.

Eles tiveram a ideia de percorrer a Itália à procura do artilheiro do torneio de 1990 e fazer  disso um documentário. O projeto se chama “Searching for Schillaci”. Estão tentando levantar 19 mil libras (cerca de R$ 75 mil) por meio de crowdfunding, contribuições de pessoas que queiram ajudá-los.

Abriram uma conta no site Indiegogo para receber doações (clique aqui para contribuir).

“É época da febre de Copa do Mundo e o torneio de 1990 foi aquele que realmente nos fez estar por dentro do futebol. Para nós, tudo o que aconteceu naquele mês de junho, na Itália, foi especial”, afirma Steve Jolley, um dos idealizadores do projeto, em entrevista ao blog.

O roteiro é simples: quatro ingleses viajando pela Bota, passando nas cidades em que Schillaci jogou, até encontrarem o ex-atacante. Filmando tudo. “Achamos que muita gente se interessaria por ver isso”, completa Jolley.

Pelas contas dos amigos, 80% dos R$ 75 mil (R$ 60 mil) serão usados para para pagar à Fifa pelo direito de usar imagens dos lances e gols de Totó no documentário. O restante será gasto na compra dos equipamentos e transporte para as filmagens.

Eles querem passar especialmente por Messina, Turim e Milão, cidades onde o ex-jogador atuou. O ponto final seria Palermo, onde ele mora e tem escolinha de futebol.

A Copa da Itália é considerada a mais defensiva da história. Foram 2,21 gols por partida. Mas ofereceu momentos memoráveis. Maradona, com o tornozelo direito em frangalhos, conseguiu levar a Argentina à final (e eliminando a Itália em Nápoles). Roger Milla, aos 38 anos, foi um dos maiores craques no torneio. A lenda de que ele havia sido registrado apenas aos sete anos de idade e, na verdade, estava com 45, é uma das mais deliciosas das Copas em todos os tempos.

O cabelo de Valderrama, as lambanças de Higuita, o gol de Rincón contra a Alemanha aos 49 do segundo tempo, o choro de Paul Gascoigne, a Irlanda chegando às quartas de final sem ganhar uma única partida… Coisas que estão na história do futebol. Mas nenhum conto de fadas se iguala ao de Totó Schillaci.

Um ano antes do Mundial, ele estava no Messina, na Série B italiana. Foi contratado pela Juventus, fez boa temporada na Série A e entrou na lista como sexto atacante. Na preferência de Azeglio Vicini, estava atrás de Vialli, Mancini, Baggio, Carnevale e Aldo Serena. Não deveria nem pisar em campo. Era, teoricamente, um espectador privilegiado.

No desespero, empatando com a Áustria na estreia, Vicini mandou Totó entrar. Segundos depois, ele fez o gol da vitória da Azzurra. Foi o artilheiro da competição, com seis gols. As partidas da seleção anfitriã entraram para a história como “as noites mágicas de Totó Schillaci”. Depois da Copa, ele só fez mais um gol pela seleção. Encerrou a carreira em 1997, no Jubilo Iwata, do Japão.

Foi o bastante para entrar na história do futebol e povoar o imaginário de quatro amigos ingleses que agora sonham em procurar Schillaci.