O goleiro adolescente da Itália

Por Rafael Reis

Quando a Itália conquistou a classificação para a Copa do Mundo, Simone Scuffet ainda nem havia estreado como jogador profissional.

O goleiro teve de esperar mais cinco meses até receber sua primeira oportunidade de jogar na Udinese, em fevereiro. Aos 17 anos e oito meses.

A vitória por 2 a 0 sobre o Bologna foi a primeira das 18 partidas que credenciam o adolescente, que ainda precisa dividir seu tempo entre escola, treinos e jogos, a ser o azarão da convocação da Itália para a Copa do Mundo.

A lista de quem deseja vê-lo no Mundial já neste ano é grande. E tem pesos pesados como Gianluiggi Buffon, 36, o titular da meta da Azzurra, a quem o jovem tem sido bastante comparado e apontado como sucessor natural.

Os mais supersticiosos não conseguem ignorar que Scuffet carrega no sobrenome o mesmo FF do arqueiro da Juventus e ídolo do tetracampeonato mundial (2006) e de Dino Zoff, o goleiro do tri. Um indício de que o garoto tem o mais promissor dos futuros.

O técnico Cesare Prandelli já deu o primeiro sinal de que pode ceder ao clamor popular e convocar o adolescente da Udinese para o Mundial ao chamá-lo para treinos e avaliações físicas da seleção.

Se lembrado, Scuffet, que completa 18 anos em 31 de maio, só 14 dias antes da estreia italiana, contra a Inglaterra, será o mais jovem goleiro inscrito em uma Copa ao longo dos últimos 76 anos.

Em toda a história dos Mundiais, somente Walter Brom, reserva da Polônia aos 17 anos em 1938, era mais novo que o arqueiro italiano.

“Sou totalmente a favor da convocação dele. É um garoto muito dedicado, sempre o primeiro a chegar nos treinos. Não é de muita graça. É calado, bem na dele. Trabalhador”, diz o lateral esquerdo brasileiro Gabriel Silva, seu companheiro na Udinese.

O ex-jogador do Palmeiras lembra da desconfiança que Scuffet teve de enfrentar quando seus parceiros foram avisados de que ele estrearia, no jogo contra o Bologna.

“O Brkic [então titular] sentiu uma lesão durante o aquecimento. Quando o técnico falou que o Scuffet que começaria jogando, todo mundo ficou um olhando para outro. Foi aquele susto, deu um pouco de medo”, confessa.

Desde aquele susto, Brkic nunca voltou para o gol da Udinese. O garoto foi bem contra o Bologna, teve grandes atuações contra Milan e Inter de Milão, virou xodó da Itália, tornou-se objeto de desejo de todos os grandes clubes da país e do Arsenal.

Para entrar para a história, falta só uma decisão. A do técnico Cesare Prandelli. Que será conhecida nesta terça-feira.

Scuffet, goleiro adolescente da Udinese, contra o Napoli, em abril.
Scuffet, goleiro adolescente da Udinese, contra o Napoli, em abril