As 21 vezes de Messi, aquele que nunca deixou de ser o melhor do mundo

Por Rafael Reis

Jogador que faz um gol no Real Madrid já tem história para contar para o filho durante a vida inteira. Os causos daquele que fez 21 gols só o pequeno Thiago poderá ouvir.

O mundo relembrou neste domingo que seu maior craque é o mesmo há meia década. 2013 foi um só um ponto fora da curva.

Na noite em que se isolou como maior goleador da história dos encontros entre Barcelona e Real Madrid, Messi não fez apenas três gols. Como se marcar três gols no clássico mais estrelado do mundo já não fosse um feito especial.

O argentino converteu dois pênaltis (um incontestável e o outro com cheiro de malandragem de Neymar), fez um gol com chute no canto e deu uma assistência inteligente para Iniesta balançar a rede. Foi um Pelé. Foi um Maradona. Foi um Messi.

A atuação do camisa 10 livrou a cara de muitos dos seus companheiros. O compatriota Javier Mascherano e o lateral brasileiro Daniel Alves quase colocaram tudo a perder com erros atrás de erros lá atrás.

A vitória por 4 a 3 do Barcelona, no Santiago Bernabéu, que ressuscitou os catalães na disputa pelo título espanhol e entregou a liderança nas mãos de um cada vez menos improvável campeão Atlético de Madri, foi uma mostra de como o pequeno Messi se agiganta quando encontra o Real.

São 21 gols em 27 clássicos disputados. Ou seja, o argentino ostenta uma média de 0,77 gol por partida contra os madrilenos. Não é contra o Valladolid, o Almería ou o Rayo Vallecano. É sim contra a equipe mais vencedora da Espanha e de toda a Europa.

Di Stefano, outra lenda argentina com que Messi dividia o recorde, precisou de 30 clássicos para marcar 18 vezes. Média de 0,6 gol por jogo. Um feito incrível para um gigante. E que agora parece inexpressivo perto do baixinho de 1,69 m.

Mais que as marcas históricas, o que impressiona é como o camisa 10 argentino recuperou o futebol e a fome de gols colocados em xeque pela sequência de lesões sofridas desde a reta final da temporada passada.

Messi marcou em dez dos 12 últimos jogos que disputou pelo Barcelona. Foram 16 gols. Hat-tricks contra Osasuna e Real Madrid e atuações decisivas nas duas vitórias sobre o Manchester City, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Se o Barcelona fosse um clube brasileiro, sua torcida fatalmente estaria gritando: “o melhor do mundo voltou”. E a menos de três meses da Copa do Mundo.

Ah, e o Neymar?, deve ser a pergunta do leitor mais atento. Bem, foi vaiado somente pela torcida do Real quando foi substituído. O que pensando na perseguição que tem sofrido no Barcelona, já é um bom sinal.

O craque brasileiro acabou sendo mais importante do que o futebol que mostrou. Pouco acionado e meio perdido no ataque catalão, foi visto em campo só duas vezes: quando foi desarmado dentro da área, e Messi aproveitou o rebote, e no questionável pênalti que provocou a expulsão de Sergio Ramos. Mas as ambas as jogadas viraram gols.

 

Messi saúda a torcida após a vitória no clássico e o recorde contra o Real Madrid